[interlegis] RES: Por um Plano (minimamente estruturado) de Comunicação para o Interlegis

Hélio Teixeira heliolteixeira em gmail.com
Sexta Abril 30 22:49:53 BRT 2010


Pessoal

Dando continuidade a discussão. Gostaria de aproveitar a clara
sinalização que o James fez, na conclusão da sua mensagem, sobre os
planos futuros da sua Diretoria.

Segundo suas próprias palavras a sua Diretoria pretende contratar um
"Consultor especialista para conduzir o processo de desenvolvimento do
Plano de Comunicação / Relacionamento..."

Amigos, essa seria a pior coisa a fazer nesse momento. Quero fazer
este alerta, até porque não jogo no time do quanto pior melhor. E não
tenho nenhum interesse no insussesso do James e da sua equipe.
Desavenças à parte, ainda me vejo no mesmo barco que ele e não quero
vê-lo afundar. Por isso me sinto na obrigação de fazer algumas
considerações.

Além do James, quero também me dirigir a todos os demais colegas de
lista que não militam diretamente na área de Comunicação, para fazer
algumas considerações sobre as implicações (prós e contras) da
contratação de consultores para a elaboração de Planos de Comunicação
e Relacionamento. Vamos lá.

A contratação de "consultorias especializadas" para elaboração de
Planos de Comunicação e Relacionamento é uma prática em completo
desuso pelo mercado. Praticamente ninguém "nem do primeiro, nem do
segundo time" (como costumamos falar em nosso meio) faz mais isso. Por
um razão muito simples a relação custo/benefício é extremamente
desvantajosa. Na verdade só uma coisa é certa nesta relação: os
custos, pois os são benefícios são praticamente inexistentes.

Deixe-me explicar melhor:

A prática da contratação de consultores para este fim, era justificada
e até recorrente no período da chamada era pré-digital. Naquela época,
era possível fazer um planejamento minimamente preciso para horizontes
de tempo maiores. Era justamente essa maior "vida útil", digamos
assim, que justificava a contratação desse tipo de profissional para
esta finalidade específica.

Tínhamos uma paisagem midiática relativamente "estável" e um cenário
de produção e consumo de conteúdo midiático muito mais "previsivel".
Dessa maneira, era perfeitamente justificável esse tipo de
contratação.

Mesmo assim, ainda tinha um porém. Mesmo com a tal "previsibilidade"
ainda era preciso contratar consultores especialistas em comunicação
na área específica de atuação do seu negócio. O que restringia em
muito a quantidade de bons profissionais disponíveis para cada
empresa.

Nos últimos 10 anos, com a proliferação das chamadas tecnologias
digitais, a tal previsibilidade evaporou-se e com ela também a
confortável "estabilidade" da paisagem midiática.

Diante de tanta instabilidade, não se faz mais planos trianuiais como
outrora. Os Planos de Comunicação são cada vez mais curtos. Algumas
indústrias chegam a fazer planos de comunicação bimestrais.

Você já pensou ter que contratar um consultor a peso de ouro (os bons
consultores custam muito caro!) a cada três meses????

Hoje, a prática mais comum (tanto no primeiro time, como no segundo e
até no terceiro time) é a contratação de empresas de comunicação para
relacionamentos mais longos. Estou falando de 5, 6, 10 anos. Essas
empresas passam a gerir toda a comunicação da marca e muitas vezes até
disponibilizam profissionais seus que passam a "bater cartão" na
empresa para a qual ela presta serviço. Mas não se iludam esse tipo de
relacionamento custo muito caro. E só compensam para empresas de
grande e médio porte.

Esse arranjo é altamente desaconselhável para o tipo de negócio do
Interlegis. Uma das causas principais que torna impraticável a adoção
desse arranjo para o Interlegis, é modelo de remuneração. Normalmente
as melhores empresas (aquelas que realmente valem investir dinheiro)
são remuneradas de acordo com a compra de mídia do cliente. Ou seja,
se a empresa comprar 1 milhão de reais em espaço publicitário, a
empresa será remunerada com um percentual desse 1 milhão.

A outra forma de remuneração, menos comum no universo das boas
empresas de comunicação, é a remuneração por hora/trabalho também
extremamente desaconselhável para órgãos públicos, como o Interlegis.
Ao contrário do mundo privado, onde essa prática é mais indicada,
órgãos públicos de maneira geral são mais lentos na recuperação e no
manuseio de informações e pricipalmente nos seus processos decisórios,
e assim corre-se o risco de remunerar mais a espera do consultor do
que as horas efetivamente trabalhadas.

Em resumo, a contratação de uma consultoria para fazer um Plano
resultaria apenas em um Plano mesmo, que muito provavelmente seria
muito bem acabado, com algumas frase de efeito, boas citações dos
grande teóricos da comunicação, seria também muito bem encadernado em
capa dura e que na prátiva não serviria para nada, apenas para
bravatear aos quantos cantos "nós temos um plano de comunicação"...


Você pode me perguntar agora: Qual a saída então? Qual o melhor
arranjo para atender o Interlegis?

Os melhores e mais eficientes planos de comunicação que eu conheço
foram feitos pelos próprios profissionais que vivem o dia a dia do
negócio. As pessoas que estão na linha de frente que conhecem a fundo
os clientes e que recebem as pancadas quanda a coisa não funciona.

Consultores quando são contratados para relacionamentos de tiro curto,
normalmente chegam com fórmulas prontas e discurso bonito e nos iludem
com sucessos passados. Quase sempre obtidos em relacionamentos mais
duradouros com antigos clientes.

Portanto, recomendo firmemente que façamos nós mesmos o nosso Plano de
Comunicação e Relacionamento. Pessoal, não é nenhum bicho de sete
cabeças. Não vamos projetar uma nave espacial para levar o homem à
Marte. Vamos apenas colocar no papel aquilo que todos nós já sabemos
que precisamos fazer  E QUE SÓ NÃO FIZEMOS AINDA PORQUE NÃO TIVEMOS A
OPORTUNIDADE DE FAZÊ-LO.

Pergunto: por que não tentar? Se apesar dos resultados pífios que a
ausência completa do Plano nos trouxe, o Interlegis continuou
existindo, quiçá com um plano mimimamente estruturado? Que normalmente
terá algumas falhas iniciais que poderão ser corrigidas com o processo
natural de aprendizagem da própria equipe do Interlegis e da
Comunidade.

Pelo que eu conheço da equipe do James eles podem perfeitamente fazer
isso. Eu sei, por exemplo, que eles tem lá um puclicitário, o Bruno
Sartório e que também tem alguns bons jornalistas.

Como se isso não bastasse, estou aqui para ajudá-los GRATUITAMENTE.
Não QUERO UM CENTAVO DO INTERLEGIS. TRABALHO GRATUITAMENTE PARA VOCÊS.
Por que me disponho a fazer de graça? podem me perguntar. A resposta é
simples: não conseguiria receber dinheiro da minha própria família.

Vamos lá pessoal. A gente elabora um esboço com as estruturas mínimas
necessárias, e vamos construindo gradualmente um plano mais robusto.
Só depende da vontade de vocês.

Era isso que eu tinha a dizer no momento.

Um grande abraço,

Hélio Teixeira


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