[interlegis] E-democracia
Ricardo Matheus
pardal em usp.br
Quinta Maio 28 14:49:28 BRT 2009
Olá, car em s. Já que o tema é e-democracia, vou arriscar com algumas palavras.
Diante da notória dissertação do nobre professor doutor Marcelo
Nerling e de todas as contribuições feitas pelos demais mebros da
lista, em especial Hélio e Jean, que ativamente participam do debate
aqui inciso e de outros que discutiram um pouco sobre a participação
das audiências e consultas públicas do governo paulistano.
Gostaria também de ressaltar o que o professor Marcelo recentemente
apontou na lista. Infelizmente no Brasil, não diferentemente de alguns
países latino-americanos e de muitos outros do globo, inclusive os
ditos "desenvolvidos", não oferecem a sua sociedade, devida
participação a criação de leis e também das escolhas das diretrizes
das políticas públicas, no entanto, há de se destacar algumas notórias
evoluções na governança política, especialmente em âmbito subnacional
e local.
Recentes pesquisas da Rrede Internacional chamada LogoLink
(http://logolink.org/index.htm), uma rede que apóia estudos da
governança eletrônica local na América Latina e em todo o mundo,
aponta que alguns países da América Latina tem conseguido desenvolver
certas áreas das políticas públicas através da governança eletrônica.
O Brasil se destaca neste meio devido ao seu notório, e progressivo,
aumento da participação eletrônica dentro de portais de transparência,
das consultas públicas online e também aos chamados orçamentos
participativos digitais, onde os casos mais ilustres estão em Belho
Horizonte, Minas Gerais e Recife, no nordeste brasileiro, Ipatinga em
Minas Gerais e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Em países como a Costa Rica, México, Equador e outros, o destaque vai
para esforços da população participar da diminuição da corrupção
através do controle social, enviando simples mensagens, via internet,
para a prefeitura, onde protocola o assunto e cria sindicâncias
internas para averiguar os problemas que foram apontados pelos
cidadãos, que podem efetuar o envio das informações anonimamente. No
México o governo federal obriga que todas as contas públicas devam
estar publicadas online, para oferecer maior controle social e
transparência.
Ontem mesmo 10 prefeitos foram presos no México. Todos foram
indiciados por corrupção e desvio de dinheiro público. Isso só prova
que estas ferramentas são realmente eficazes para o controle social da
sociedade civil organizada, espantadas e cansadas com os atuais níveis
de corrupção da coisa pública.
Portanto, apesar das grandes dificuldades e do imenso hiato de
democracia que este país viveu há vários anos atrás, temos de evoluir
através de iniciativas semelhantes as descritas aqui e referenciadas
pela Rede LogoLink. Apesar disso, não vejo, em um futuro próximo,
vontade política de abertura destas informações e participação
incisiva dos cidadãos nas escolhas das diretrizes do gasto e
investimento público do orçamento.
Realmente há diversas ferramentas e pessoal qualificado para produzir
políticas públicas mais eficientes, participativas e portanto,
democráticas, assim como esta lista se encaixa muito bem nestas
qualidades, o Interlegis, através da modernização das casas
legislativas e entre outras centenas de projetos que vários cientistas
e administradores públicos da área desenvolvem.
Mas fica a questão: Será que a população não consegue/não gostaria de
participar das decisões públicos ou será que o governo não abre
espaços para a participação e efetivação da verdadeira democracia,
aquela que lemos nos teóricos defensores da democracia participativa
das sociedades.
Grande abraço a todos.
Mais detalhes sobre a lista de discussão Interlegis