[gitec] [gicom] Portais de Transparência

Hélio Teixeira heliolteixeira em gmail.com
Sexta Dezembro 10 00:02:44 BRST 2010


Oi Maurício

Você está certíssimo em sua argumentação. A apropriação do
conhecimento e reutilização da informação, fatores críticos nos
processo de transparência, dependem fundamentalmente da adequação da
linguagem. Se não ajustarmos a linguagem aos nossos interlocutores, é
impossível acontecer qualquer tipo de comunicação. Como você bem
disse, isso é um princípio BÁSICO daquilo que chamamos de Comunicação.

Uma das alternativas mais promissoras dentro da nova paisagem
midiática, que só agora o mundo organizacional (sobretudo o privado)
começa a descobrir, é a possibilidade de dar vida aquilo que eu chamo
de "significação customizada e desintermediada." E é justamente isso
que mais me chama a atenção no serviço "Where Does My Money Go?"
descrito no post publicado no Chapa.

Em sua mensagem, você tocou numa questão de extrema relevância que nos
remete a uma outra dimensão do problema (que possui uma relação de
interdependência com a dimensão "tecnológica" discutida no post
publicada no Chapa), que é a dimensão político-cultural. E aqui o
nosso maior desafio é combater o caldo cultural do obscurantismo, que
se manifesta na postura da "Caixa Preta" ainda reinante no serviço
público brasileiro.

Nesse ponto, não alimento nenhuma falsa esperança, Infelizmente,
existe uma classe de indivíduos que realmente não podem (sob pena de
produzirem provas contra si mesmos) usar o instituto da transparência.
É o que chamo de "o lado escuro da esfera pública interconectada," que
simplesmente É ALÉRGICO À LUZ. Não acho que veremos terroristas, por
exemplo, publicando seus planos 'online' e dizendo para o mundo:  "Por
favor, vocês poderiam nos ajudar a realmente fazer os nossos planos
funcionarem para podermos matar mais pessoas inocentes?" O mesmo
raciocínio se aplica à classe dos POLÍTICOS LADRÕES, uma praga ainda
onipresente na política brasileira e mundial. Se formos esperar por
essa corja... é melhor esperarmos sentados... ou melhor, deitados em
berço esplêndido...

Mas a minha perspectiva de médio e longo prazo, é muito mais otimista.
Acredito que pelo andar da carruagem, dentro de pouco tempo, algumas
práticas citadas pelo amigo em sua mensagem (ainda muito comuns na
maioria das nossas organizações públicas), não serão mais aceitas pelo
conjunto da sociedade, principalmente pela chamada "geração digital"
que aos poucos ganha força e musculatura no cenário político-social
mundial.

Dessa forma, acredito que precisamos ampliar o debate e colocar os
nossos gênios criativos à serviço dessa causa. Até porque, quem não
fizer isso, certamente, será trucidado pelo trem bala da história que
se aproxima...

Grande abraço

Hélio Teixeira








Em 9 de dezembro de 2010 09:51, Imprensa Câmara
<imprensa em camarapedreira.sp.gov.br> escreveu:
> Olá caros amigos da Lista,
>
> Estou achando muito interessante o debate que vem sendo travado sobre os
> "Portais de Transparência". Realmente a qualidade e a clareza da informação
> são aspectos importantes para haver uma relação saudável entre o emissor e o
> receptor de uma determinada mensagem. Essa fórmula é a mais básica de todo o
> processo de comunicação e o que temos visto é que, infelizmente, há muito
> tempo essa fórmula foi esquecida e o que é pior, por comunicadores
> importantíssimos como a grande imprensa e as instituições públicas que lidam
> com uma diversidade enorme de sujeitos com as mais diversas especificidades
> individuais.
> Já está mais do que na hora de fazermos uma verdadeira revolução na atual
> estrutura comunicacional dos setores públicos. Nesse sentido, nós,
> comunicadores públicos, devemos ser os principais responsáveis por essas
> mudanças. Por exemplo, a meu ver, essa falta de credibilidade em tudo aquilo
> que é publico, principalmente no Brasil, é reflexo, em boa parte, da
> incompatibilidade comunicacional entre as instituições públicas e as pessoas
> que se utilizam dos serviços e bens públicos disponibilizados por estas
> instituições. Para ser mais específico, acredito, por exemplo, que a baixa
> participação popular nas sessões ordinárias das Câmaras Municipais,
> principalmente de municípios com até 50 mil habitantes, pode ser explicada
> em parte pela utilização excessiva de uma linguagem "jurisdicista",
> praticamente indecifrável pelo cidadão comum. Precisaria haver uma espécie
> de "tradução" do que é dito nas sessões ordinárias, utilizando uma liguagem
> mais próxima do cidadão comum. Estou particularmente convencido de que as
> sessões seriam mais participativas e os cidadãos mais politizados, ou
> melhor, afeitos com a idéia de direitos e deveres, se o legislador
> conseguisse falar a língua do cidadão comum.
> O assunto por mim levantado parece estar meio distante do contexto dos
> "Portais de Transparência", mas na verdade não está. Acredito que o assunto
> acaba por ficar nas entrelinhas do artigo apresentado pelo companheiro Hélio
> em mais uma de suas brilhantes intervenções.  A mensagem só se torna
> informação quando é transmitida por uma linguagem adequada a seu público
> alvo e somente esse tipo de mensagem é aquela que será responsável por
> formar pessoas mais conscientes e participativas. Trazendo a discussão para
> o setor público, as pessoas mais conscientes e participativas são aquelas
> mais preparadas para discutir direitos e deveres perante a "coisa pública",
> são pessoas que terão mais respeito pelo que é público e poderão se utilizar
> melhor dos benefícios oferecidos por esse setor.
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