[Gitec] A revanche de Woodstock

Paulo Fernandes de Souza Jr. paulofernandes em interlegis.gov.br
Sexta Maio 21 15:37:33 BRT 2004


Artigo muito bom do Luiz Nassif, publicado na Folha de São Paulo em
15/05.

[]s,

Paulo Fernandes.

A revanche de Woodstock
 
LUÍS NASSIF
 
Por seu aspecto meio pós-Woodstock, pela natureza libertária de seus
integrantes, o software livre tende a ser visto como uma curiosidade, um
movimento de sonhadores incapaz de superar o poder financeiro das
grandes corporações. É mais que isso.

Vamos por partes para entender por que poderá vir a ser conhecido como a
maior revolução gerencial da história.

Apenas no início dos anos 90 o Brasil descobriu a terceirização, a
contratação de terceiros para desempenhar trabalhos não-essenciais da
empresa. O início desse processo foi o modelo japonês de dividir as
grandes corporações em unidades de negócio para melhor avaliar o
desempenho de cada parte individualmente. Com as partes trabalhando de
forma independente, mas coordenada, era fácil substituir um elo menos
eficiente da corrente por fornecedores externos.

Avançou-se no modelo, e informática e logística permitiram que, nos anos
90, houvesse a implosão das cadeias produtivas das grandes
multinacionais, que passaram a fabricar seus produtos com insumos
adquiridos em várias partes do mundo.

Ao mesmo tempo, o avanço das modernas formas de gestão consagrava os
modelos horizontalizados, com pessoas de vários departamentos
interagindo em torno de um objetivo comum, sem relações de hierarquia
formais entre elas.

A partir do exemplo italiano, o conceito do trabalho em rede chegou às
pequenas e médias empresas. O terceiro setor também se beneficiou
enormemente do modelo, quando experiências inovadoras foram
encapsuladas, as ações, padronizadas, e foram criados indicadores e
manuais, permitindo a sua reprodução, no modelo das franquias.

A radicalização do modelo se deu com as comunidades de software livre, a
experiência que enterrou definitivamente o fordismo, somando as sementes
libertárias de Woodstock aos avanços da engenharia de projetos para
criar uma nova civilização.

Não é um trabalho hierarquizado. Seus fundamentos são a definição de um
objetivo comum -no caso, o desenvolvimento de um sistema operacional ou
de um aplicativo. Depois, um conjunto de protocolos e regras que devem
ser seguidos para permitir a compatibilização dos módulos. Cria-se a
comunidade sem hierarquia, sem comando, apenas articulando vontades. A
comunidade tem acesso ao código-fonte inicial e pode trabalhar em cima,
fazendo as implementações que bem desejar. A coordenação é dada pela
necessidade de compatibilidade e por um administrador incumbido de
analisar se cada módulo desenvolvido pode ou não ser agregado ao produto
principal.

Não há limites para a criatividade, demole-se o mito de que a patente é
ferramenta fundamental da inovação, junta-se o ambiente anárquico da
inovação em torno da disciplina do padrão, democratiza-se o
conhecimento, mas de uma forma tão profissional que pode se aplicar a
qualquer ramo da produção, da música às artes.

No início de junho, ocorrerá o maior evento de software livre do mundo,
em Porto Alegre. Administradores de todos os níveis, herdeiros de
Woodstock ou engravatados de Harvard: fiquem de olho no encontro, porque
é uma revolução irreversível rumo ao futuro.

E-mail -
Luisnassif em uol.com.br <mailto:Luisnassif em uol.com.br> 





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