[Gitec] As três etapas da migração para Software Livre

Paulo Fernandes de Souza Jr. paulofernandes em interlegis.gov.br
Quarta Junho 16 16:05:22 BRT 2004


As três etapas da migração para Software Livre

Posted on Quarta, junho 16 @ 09:00:15 BRT 
Topic: Textos

 Nunca é demais reforçar. Quando dizemos que o governo federal vai
migrar suas estações e servidores para Software Livre não estamos
tratando de uma escolha de produto, muito longe de comparar com a
escolha de um modelo de carro ou da cor de uma cadeira. 

Discorremos sobre uma mudança significativa na infra-estrutura das
Tecnologias da Informação e Comunicação, sobre um novo modelo
tecnológico que trará segurança, independência tecnológica, conhecimento
e também economia aos cofres públicos. A migração para Software Livre,
então, trata de uma opção estratégica por um novo paradigma tecnológico,
um novo conceito na construção científica e do saber que, junto a outras
iniciativas, fomentará o cenário tecnológico brasileiro. Com isso
acreditamos que já respondemos à pergunta: “Por quê migrar?” Os debates
e os trabalhos relativos ao software livre extrapolaram o âmbito do
Comitê Técnico de Implentação de Software Livre do Governo Eletrônico e
hoje pautam as políticas industrial (lançada em abril), tecnológica e
cultural brasileiras. Isso é o suficiente para entendermos a primeira
etapa da migração para software livre. 

1ª - A migração política 

Há anos o debate acerca das TIC´s tenta, de alguma maneira ocupar espaço
no debate político brasileiro, iniciativas passadas não foram suficentes
para marcar uma condução e uma estratégica política para a capacitação
tecnológica da Nação. A estratégia conduzida pelo Ministro Chefe da Casa
Civil e Coordenador do Governo Eletrônico brasileiro, José Dirceu, foi
priorizar o debate, junto ao governo e à sociedade civil, sobre
Tecnologia da Informação, de seu uso estratégico no governo e na
qualificação de uma política industrial e tecnológica. Esse cenário
permitiu destacar os debates sobre os Softwares Livres e de
códigos-fonte abertos, que os conduziram ao status de política do
governo, como vimos no parágrafo acima. Esta etapa já está cumprida. 

2ª - A migração cultural 

Não faz muito tempo que as máquinas de escrever foram substituídas nas
mesas dos escritórios e nas mesas de funcionários e administradores
públicos. Também não faz tanto tempo assim que você pode ir a um
supermercado e escolher um computador para comprar. Até então você
optava pelos componentes que a máquina ofertava, o tamanho do monitor,
cores: entre o predominante bege ou com detalhes metalizados ou ainda os
recentes coloridos. O usuário podia escolher tudo, menos o sistema
operacional e os programas que precisava utilizar. O governo também não
escolhia seus programas e era comum ouvir “sempre foi assim.”
Característico de qualquer atividade monopolística. Com isso estudantes,
funcionários públicos, profissionais liberais, enfim, os comumentes
chamados usuários finais não foram qualificados para o uso da
informática e seus aplicativos; foram aprisionados ou ainda
condicionados a utilizar um produto específico. Vencer o medo sobre o
novo, os vícios de uso e a má qualificação profissional são fundamentais
para o sucesso da migração de estações de trabalho. Trata-se ainda de
uma migração voltada a requalificar profissionais de informática,
gerentes e profissionais administrativos que foram condicionados ao uso
de software proprietário em suas tomadas de decisões. Vale lembrar o
vício das peças licitatórias e contratos condenados pelo Tribunal de
Contas da União. Esta migração está em andamento em vários órgãos com
informação, conhecimento e capacitação. 

3ª - A migração técnica 

O Comitê Técnico de Implentação de Software Livre, por meio do ITI e do
SERPRO, estará acompanhando e ajudando na migração de 6 ministérios. Não
existe receita para a migração, o ambiente criado pela 1ª e 2ª etapas
(decisão e capacitação) qualificam a intervenção técnica. Some-se ainda
o grande número de aplicações existentes em Software Livre e a
possibilidade de customizá-las pelo governo ou por terceiros e obteremos
como resultado uma quantidade infinita de soluções livres e
interoperáveis para uso em servidores e desktop´s. Este item é merecedor
de aprofundamento em artigo futuro, onde em um retrato mais técnico será
possível mensurar as aplicações em ambiente corporativo, servidores e
desktop´s, além do tratamento e do convívio com o legado, qualificado
pela experiência da migração dos 6 ministérios. Outros órgãos também
estão implementando Software Livre. Cometeria um erro em tentar listar
todos, pois poderia me esquecer de algum. Impulsionados pelas
necessidades mais variadas começaram o processo, seja pelo ambiente
servidor ou pela simples substituição do pacote de escritório,
consoantes e determinados na execução da política do governo e cientes
dos benefícios que o uso do Software Livre trará à admistração pública,
às políticas tecnológica e industrial brasileiras e ao cidadão. 

Autor: Ricardo Bimbo - Assessor e Coordenador de Implentação de Software
Livre do ITI – Instituto Nacional de Tecnologia da Informação Casa Civil
da Presidência da República 
Fonte: Instituto de Tecnologia da Informação 




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