[gicom] [FW] Filtragem de conteúdo na web

Hélio Teixeira heliolteixeira em gmail.com
Segunda Setembro 19 12:54:23 BRT 2011


Oi Carlos

Essa é uma das questões mais discutidas atualmente em alguns dos
principais fóruns de debates sobre o futuro da internet e das
tecnologias disruptivas digitais em todo o mundo.

É uma questão realmente complexa que nos remete a uma reflexão sobre
qual a influência (nefasta ou benéfica) que a recém adiquirida
capacidade (quase ilimitada!) de filtragem de conteúdo midiátio -
introduzida pelas tecnologias digitais não-lineares - exerce sobre o
processo de formação do discurso político em uma sociedade
democrática.

Em sua análise sobre os efeitos da crescente capacidade de filtragem
de conteúdo midiático na socieda bi-partidária norte-americana, o
professor da Faculdade de Direito de Harvard, Cass Sunstein, argumenta
que esta capacidade de construir a nossa "própria mídia" está criando
o que ele chama de "Efeito Câmara de Eco" que substitui um sentido de
unidade democrática, com a polarização acelerada e a construção de
posições políticas cada vez mais extremas.

Se ouvimos, assistimos e lemos somente aquilo que está em sintonia com
as nossas crenças, perdemos a oportunidade de ouvir o contraditório.
Perdemos a oportunidade de ouvir as opiniões divergentes das nossas e
consequentemente perdemos a capacidade de discutir e aperfeiçoar o
nosso argumento, e, até mesmo, quem sabe, a capacidade de mudar o
nosso pensamento baseado nos argumentos contrários aos nossos.

Para nós comunicadores públicos esse tema também nos remete a outra
questão muito importante. Afinal, não há como negar que o debate
político fica empobrecido em um sistema baseado no instituto da "minha
mídia". A construção de um ambiente de discussão política minimamente
saudável precisa não só que os diversos públicos ouçam as mais
variadas vozes, é preciso também cultivar uma cultura onde as pessoas
realmente queiram ouvir o que os outros têm a dizer.

Outra pergunta que precisa ser respondida por nós comunicadores
públicos é a seguinte: A quem estamos realmente servindo, cidadãos ou
consumidores? Ou melhor, sob qual ótica devemos construir a nossa
prática? A ótica da liberdade ilimitada de escolhas (lógica dos
consumidores) ou a lógica da liberdade assistida por informações
contraditórias (e até certo ponto compulsória) dentro do debate
político? (a lógica do cidadão).

Claro que não existem respostas fáceis para a solução desse dilema.
Seria justo e democrático diminuir a liberdade de escolha dos usuários
sob o pretexto de "melhorar o debate político"? Seria justo e
democrático "obrigar" as pessoas a consumirem informações que elas não
queiram consumir sob a alegação de que o nosso sistema democrático
precisa ser construído por cidadãos melhor informados?

Enfim, esse é um debate muito espinhoso pois muito daquilo que está em
discussão ainda precisa ser melhor entendido. Muitos dos processos e
forças culturais que estão modelando a atual paisagem midiática ainda
não foram sequer estudados com o cuidado necessário. Portanto, ainda
temos muito a aprender até que possamos encontrar respostas
minimamente razoáveis para a grande maioria dessas questões.

Grande abraço

-- 
Hélio Teixeira
IHT/Brasil
http://InstitutoHT.com.br
http://ComunicacaoChapaBranca.com.br
http://twitter.com/helioteixeira

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Palestra de Eli Pariser na conferência TED em 2011.
Vídeo em alta resolução com legenda em português.
Tema: Filtros na internet.

Muito interessante, uma aula sobre a filtragem a que estamos
submetidos na internet. O que pode ser um filtro baseado naquilo que
seria, teoricamente, nosso perfil e nossos interesses, pode se tornar
um limitador e nos privar de ter acesso a pensamentos e conteúdos
diferentes. Isso serve também para o caso dos meios de comunicação,
como mostra o palestrante.

Vale a pena perder uns minutos para assistir ao vídeo até o final:

http://vimeo.com/23568423

abs

Carlos Scomazzon


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