[gicom] [gitec] Burocracia do Senado avança sobre (e ocupa!) estrutura física do Interlegis

Carlos Scomazzon carlos.scomazzon em gmail.com
Terça Janeiro 11 14:43:58 BRST 2011


Com todos os problemas que possam ter, os conselhos ainda são uma das
melhores modalidades para descentralizar o poder e democratizar a
participação.

Aqui na Câmara de Porto Alegre, estamos em plena luta pela implantação de um
conselho de comunicação com participação de funcionários, parlamentares e,
principalmente, de entidades. A resistência a esta ideia é enorme por parte
dos parlamentares, mas o projeto já existe, a partir de uma ampla discussão
com diversas entidades. Os parlamentares resistem a tudo que possa
significar, para eles, uma diminuição de poder para determinarem sozinhos o
que deve ou não ser feito. mas é preciso persistência e pressão.

abs

Carlos

Em 11 de janeiro de 2011 12:06, Hélio Teixeira
<heliolteixeira em gmail.com>escreveu:

> Amigos Alano, Juliano e Teresinha,
>
> Uma das coisas que mais me incomodam no modelo “manda quem pode
> obedece quem tem juízo” que caracteriza o Senado Federal, é justamente
> a falta de diálogo entre os diversos níveis organizacionais.
> Normalmente as decisões são tomadas “de cima para baixo,” e quem
> estiver embaixo que trate de cumprir...
>
> Esse é pior modelo para se fomentar a principal matéria-prima que o
> Interlegis precisa para cumprir a sua missão, estou falando da
> INOVAÇÃO. Sem um diálogo aberto e transversal, livre das amarras
> funcionais e hierárquicas, é quase impossível  construir algo
> verdadeiramente novo. E aqui , refaço a pergunta que fiz na primeira
> mensagem, SE REALMENTE ESTAMOS QUERENDO MODERNIZAR O LEGISLATIVO
> BRASILEIRO, NÃO SERIA PRECISO CONSTRUIR ALGO REALMENTE NOVO?
>
> Pois bem, os criadores do Interlegis já pensaram nisso lá atrás,
> sabendo como as coisas funcionam em qualquer Casa Legislativa
> brasileira (e o Senado Federal brasileiro não é uma exceção!), eles
> desenharam um modelo de gestão muito diferente do que ora estamos
> vendo imperar no Interlegis.
> Uma das grandes idéias do projeto inicial que ainda não saiu do papel,
>  é a criação do Conselho Gestor (me perdoem se o nome estiver errado,
> pois não sei se é exatamente esse o nome dado a esse conselho...) que
> seria formado pelos três principais atores dentro do projeto, os
> financiadores, os executores e NÓS a Comunidade Legislativa.
>
> Já falei sobre isso em outras ocasiões aqui na lista, e vejo
> claramente que a Comunidade ainda não atentou muito bem para isso. Se
> não nos mobilizarmos e cobrarmos a implantação do Conselho, ele nunca
> vai sair do papel. Repito, não estou inventando nada, esse conselho JÁ
> ESTA PREVISTO NO PROJETO,  só precisamos dar vida a ele!
>
> Portanto, ao invés de ficarmos tomando sustos como esses e tantos
> outros que já tomamos (vide algumas ações inócuas e complemente
> esdrúxulas que já presenciamos na historia do Programa), esta muito
> claro que temos uma opção para contribuir na gestão e no planejamento
> das ações do programa, só PRECISAMOS NOS ORGANIZAR E COBRAR.
>
> Como sempre digo quando me refiro ao Interlegis, O NOSSO DESTINO
> SEMPRE ESTEVE NAS NOSSAS MÃOS,  NÓS É QUE AINDA NÃO SOUBEMOS TOMAR AS
> RÉDEAS DELE.
>
> Grande abraço a todos!
>
> --
> Hélio Teixeira
> http://novodialogo.com.br/
> http://ComunicacaoChapaBranca.com.br<http://comunicacaochapabranca.com.br/>
> http://twitter.com/helioteixeira
>
> Em 10 de janeiro de 2011 09:54, Alano dos Santos Castro Filho
> <alanofilho em gmail.com> escreveu:
> > Hélio,
> >
> > É muito triste o que você acaba de relatar.
> >
> > Concordo com você. Acho que isso não vai contribuir em nada. E mais.
> > Arrisco dizer, sem medo de errar, que a estrutura do Interlegis vai
> > ser usada para fins que não são o objetivo do programa.
> >
> > Alano
> >
> > Em 7 de janeiro de 2011 20:09, Hélio Teixeira
> > <heliolteixeira em gmail.com> escreveu:
> >> Ontem e hoje, recebi vários telefonemas de diversas pessoas que
> >> trabalham no Interlegis (algumas delas que eu sequer imaginava que
> >> ainda trabalhavam por lá...) dando conta de que o pessoal da
> >> burocracia do Senado Federal havia ocupado três salas no pavimento
> >> térreo do edificio sede do Interlegis. Ao que se sabe, até o momento,
> >> é que nessas salas passarão a funcionar alguns órgãos da estrutura
> >> burocrática do Senado.
> >>
> >> O fato que mais me chamou a atenção, foi que entre as salas
> >> “desapropriadas”  pelo Senado, esta a Sala de Treinamentos. Sim,
> >> aquela sala onde foram dados os minicursos do III Encontro Gitec e que
> >> existe há mais de 10 anos, e onde muitos de nós aprendemos as
> >> primeiras lições de Zope e Plone. E mais, me arrisco a afirmar, sem
> >> medo de errar, o local onde a nossa Comunidade foi gestada e, de fato,
> >> passou a se perceber como uma Comunidade.
> >>
> >> Quem está por aqui há mais tempo, como eu e tantos outros, sabemos o
> >> quanto os cursos presenciais que tivemos nos tempos do Paulo
> >> Fernandes, exatamente naquela sala, foram importantes para a
> >> consolidação do Gitec, a nossa comunidade mais “madura.”
> >>
> >> Contrariando uma promessa que eu havia feito a mim mesmo, de não me
> >> meter mais em assuntos que digam respeito a esfera administrativa do
> >> Interlegis (sobretudo pelo imenso desgaste emocional que tive do ponto
> >> de vista pessoal nas últimas vezes em que tentei opinar sobre essas
> >> questões...), eu gostaria de aproveitar esse acontecimento - carregado
> >> de importantes simbologias - para fazer algumas reflexões.
> >>
> >> O amor que tenho pela causa do Interlegis e a gratidão e o
> >> comprometimento sem medida que tenho com nossa Comunidade, são mais
> >> fortes do que eu, e me impedem de calar e não tentar contribuir de
> >> alguma forma.
> >>
> >> Para começar, gostaria de dizer que essa ocupação do espaço físico que
> >> ocorreu hoje já era esperada. Quem tem acompanhado de perto como eu as
> >> transformações (administrativas e funcionais) que o Interlegis vem
> >> sofrendo desde a sua transformação em um órgão da estrutura
> >> administrativa do Senado, pode perceber claramente o desenrolar de um
> >> visível processo de “SENADORIZAÇÃO” da estrutura
> >> administrativa-funcional do Interlegis, o que inevitavelmente
> >> repercute na própria ideologia administrativa que legitima e sustenta
> >> as ações do Programa.
> >>
> >> Ao longo dos últimos anos, como não poderia deixar de ser diferente, o
> >> que vemos dentro do Interlegis é a reprodução do modelo de gestão do
> >> Senado Federal. Para o bem ou para o mal, acredito que a partir da sua
> >> transformação em Secretaria Especial do Senado, esse processo seria
> >> inevitável. Assim, o que vemos agora é apenas a materialização, ou
> >> melhor, a conseqüência daquilo que foi feito alguns anos atrás. Mais
> >> precisamente na gestão anterior, O QUE EXIME DE CULPA OS ATUAIS
> >> DIRETORES, que, como se fala na gíria popular, PEGARAM O BARCO
> >> ANDANDO...
> >>
> >> Mas agora gostaria de fazer uma pergunta a todos aqueles que, como eu,
> >> acreditam na ideia que sustenta o Interlegis, e que também torcem pelo
> >> seu sucesso.
> >> ESSE PROCESSO DE “SENADORIZAÇÃO” DO INTERLEGIS VAI CONTRIBUIR PARA QUE
> >> O PROGRAMA CONSIGA ALCANÇAR  O SEU OBJETIVO MAIOR, QUE É A
> >> MODERNIZAÇÃO DO LEGISLATIVO BRASILEIRO?
> >>
> >> Como todos aqui já sabem, não costumo ficar em cima do muro, e me
> >> arrisco a afirmar, sem medo de errar, que a resposta é NÃO.
> >> Absolutamente, NÃO!
> >>
> >> E a explicação é muito simples.  Como podemos falar em MODERNIZAÇÃO se
> >> estamos reproduzindo um modelo de gestão ultrapassado e que levou o
> >> Senado Federal (e o Legislativo como um todo) a ser uma das
> >> instituições mais impopulares do nosso país, uma instituição que ocupa
> >> uma das ultimas colocações no ranking de confiança da sociedade
> >> brasileira?
> >>
> >> Como falar em modernização reproduzindo um modelo de gestão que não
> >> inspira confiança em nenhum cidadão brasileiro?
> >>
> >> Alguém realmente acredita que o Senado Federal pode ser modelo de
> >> modernização para qualquer coisa nesse país?
> >>
> >> Será que não precisaríamos construir algo REALMENTE NOVO que
> >> combatesse os velhos vícios culturais, políticos e organizacionais que
> >> imperam no Legislativo brasileiro há décadas?
> >>
> >> Será que não deveríamos ser a força inspiradora (de novas idéias e
> >> práticas inovadoras!) para retirar o Legislativo brasileiro desse
> >> abismo que ele se encontra?
> >>
> >> Fica a reflexão...
> >>
> >> Um grande abraço a todos!
> >>
> >> --
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