[gicom] Portais de Transparência

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Quinta Dezembro 9 09:51:56 BRST 2010


Olá caros amigos da Lista,

Estou achando muito interessante o debate que vem sendo travado sobre os 
"Portais de Transparência". Realmente a qualidade e a clareza da informação 
são aspectos importantes para haver uma relação saudável entre o emissor e o 
receptor de uma determinada mensagem. Essa fórmula é a mais básica de todo o 
processo de comunicação e o que temos visto é que, infelizmente, há muito 
tempo essa fórmula foi esquecida e o que é pior, por comunicadores 
importantíssimos como a grande imprensa e as instituições públicas que lidam 
com uma diversidade enorme de sujeitos com as mais diversas especificidades 
individuais.
Já está mais do que na hora de fazermos uma verdadeira revolução na atual 
estrutura comunicacional dos setores públicos. Nesse sentido, nós, 
comunicadores públicos, devemos ser os principais responsáveis por essas 
mudanças. Por exemplo, a meu ver, essa falta de credibilidade em tudo aquilo 
que é publico, principalmente no Brasil, é reflexo, em boa parte, da 
incompatibilidade comunicacional entre as instituições públicas e as pessoas 
que se utilizam dos serviços e bens públicos disponibilizados por estas 
instituições. Para ser mais específico, acredito, por exemplo, que a baixa 
participação popular nas sessões ordinárias das Câmaras Municipais, 
principalmente de municípios com até 50 mil habitantes, pode ser explicada 
em parte pela utilização excessiva de uma linguagem "jurisdicista", 
praticamente indecifrável pelo cidadão comum. Precisaria haver uma espécie 
de "tradução" do que é dito nas sessões ordinárias, utilizando uma liguagem 
mais próxima do cidadão comum. Estou particularmente convencido de que as 
sessões seriam mais participativas e os cidadãos mais politizados, ou 
melhor, afeitos com a idéia de direitos e deveres, se o legislador 
conseguisse falar a língua do cidadão comum.
O assunto por mim levantado parece estar meio distante do contexto dos 
"Portais de Transparência", mas na verdade não está. Acredito que o assunto 
acaba por ficar nas entrelinhas do artigo apresentado pelo companheiro Hélio 
em mais uma de suas brilhantes intervenções.  A mensagem só se torna 
informação quando é transmitida por uma linguagem adequada a seu público 
alvo e somente esse tipo de mensagem é aquela que será responsável por 
formar pessoas mais conscientes e participativas. Trazendo a discussão para 
o setor público, as pessoas mais conscientes e participativas são aquelas 
mais preparadas para discutir direitos e deveres perante a "coisa pública", 
são pessoas que terão mais respeito pelo que é público e poderão se utilizar 
melhor dos benefícios oferecidos por esse setor. 



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