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Ângelo Marcondes de Oliveira Neto. Li atento e extasiado o texto de vossa autoria. Vossemecê não falou demais, ao contrário descobrimos alguém que tem idéias corretas e aprouvesse a Deus Nosso Senhor, tivessemos diariamente opiniões tão sensatas. Parabéns. Fico no aguardo das próximas opiniões para absorver conhecimentos.<BR> <BR>
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Date: Thu, 30 Apr 2009 07:31:12 -0300<BR>From: angelomarcondes@gmail.com<BR>To: gial@listas.interlegis.gov.br<BR>Subject: Re: [gial] Trajédia que a gente não quer que aconteça<BR><BR>Senhores,<BR><BR>    Durante algum tempo me abstive desta discussão, mas foi impossível ficar quieto diante de tanta lenha na fogueira.<BR>Pessoalmente, acho que o problema da educação no Brasil é muito mais cultural do que institucional. Já que a grande maioria das famílias e professores tende a achar que a educação é apenas para ser utilizada para passar nas provas, no vestibular e nos concursos. E acabam não aprendendo que a edudação agrega valor em nossas vidas e em nossos pequenos mundos, ou seja, faz com que olhemos o mundo com olhos de águia.<BR>Infelizmente, é pouco incutido em nossas crianças o gosto pela sabedoria e pelo conhecimento. E quando isso acontece, as crianças são chamadas de nerds ou CDFs.<BR>   Pergunte para qualquer criança. Para que você vai a escola estudar? A grande maioria, vai dizer que é apenas para passar de ano e alguns poucos vão dizer que é para aprender.<BR>   Pergunte a um professor de um colégio público do interior, para que ele ensina? Ou irá dizer que é pago para isso ou para cumprir as metas governamentais. E raramente vão ouvir respostas positivas.<BR>   Temos que mudar a cultura de que temos que temos "passar de ano", para a cultura de que "conhecimento é poder" e este "poder move montanhas".<BR>   Uma coisa que me incomoda no sistema de edudação atual é a desvalorização da formação e a criação da classe de trabalho professor. Hoje temos professores de física, professores de matemática, professores de quimica, professores de biologia. E na verdade deveriamos ter fisicos, matemáticos, quimicos, biologos que atuam como professores, e não professsores de ... . Como alguém ensina aquilo que não vive? Ensina aquilo que não experimenta? Aquilo que não participa?<BR>   Outra coisa, temos que valorizar nossos heróis do conhecimento, já que assim motivar as pessoas a quererem seguir este caminho. Da mesma forma que supervalorizamos nossos heróis do futebol, e com isso conseguimos uma legião de fãs. Quantos ainda se lembram, quem é o cientista quase premio Nobel, citado no e-mail anteriot? Quanto sabem qual é o escritor brasileiro que mais vende no mundo? Ou sequer o nome de nosso astronauta? E o nome do famoso físico que participou da descoberta do píon ?<BR>   Agora, pergunte quem tá na final do paulistão? Ou os nomes dos personagens da novela das oito da globo?<BR>   Isto a meu ver acontece, pelo fato que supervalorizamos o que não gera conhecimento.<BR>   Agora é um papel do governo somente?<BR>   Creio que não, é um papel de todos nós cidadões e podemos agir tanto isoladamente quanto coletivamente, o importante é fazer com que o conhecimento seja valorizado.<BR><BR>Falei demais<BR>Abraços<BR><BR><BR clear=all>Angelo Marcondes de Oliveira Neto.<BR>Assessor de informática. - Câmara Municipal de Carneirinho.<BR><A href="http://www.cmcarneirinho.mg.gov.br/">www.cmcarneirinho.mg.gov.br</A>  - <A href="http://uaigeek.blogspot.com/">uaigeek.blogspot.com</A><BR><A href="mailto:angelomarcondes@gmail.com">angelomarcondes@gmail.com</A> - (34) 91414287 e 9978-5076<BR>"Não existe inseticida para filosofia barata"<BR><BR><BR>
<DIV class=EC_gmail_quote>2009/4/29 <SPAN dir=ltr><<A href="mailto:brnabud@usp.br">brnabud@usp.br</A>></SPAN><BR>
<BLOCKQUOTE class=EC_gmail_quote style="PADDING-LEFT: 1ex">Caro Sérgio e turma,<BR><BR>É engraçado (para não dizer cômico) quando você chama a atenção à<BR>falta de ação incisiva na educação, pois bem, ela não faz falta, pois<BR>quando falamos que a educação no país não vai bem, qualquer criancinha<BR>(até minha filha) já tem na ponta da língua que estamos falando da<BR>educação pública, de resto, flutuamos em céu de brigadeiro, veja você:<BR>temos tecnologias exclusivas (vide petrobrás, embrapa, ITA, dentre<BR>outros pólos de excelência), temos um cientista prestes a ganhar o<BR>prêmio Nobel (vide Miguel Nicolelis que fez uma macaca mover um robô<BR>do outro lado do mundo com a força do pensamento [da própria macaca]),<BR>o ENEN consegue ranquear as melhores escolas privadas fazendo com que<BR>ela aumente suas mensalidades, e o governo com suas provas malucas<BR>(IDEB) não obrigam que muitas outras escolas privadas passem pelo<BR>crivo desse mesmo teste, existe muita ONG voltada para a educação que<BR>estão nas mãos das elites, ou seja, pra quê mudar.<BR><BR>Vejamos a saúde, por exemplo, o atendimento básico e exames básicos<BR>(pra não dizer ridículos) é quase um mito para a população pobre<BR>(qualquer convênio ´pífio dá conta dessa demanda), diferente de outras<BR>políticas do SUS como o atendimento ao HIV e aos casos de Alta<BR>Complexidade, sem contar a distribuição gratuita de medicamentos de<BR>preços exorbitantes, onde qualquer classe-média, através de uma<BR>representação jurídica, consegue ter acesso, no entanto, o câncer não<BR>vê cor, classe, ou gênero. Conclusão: "temos um dos melhores sistemas<BR>de saúde no mundo" e eu sei que já ouvimos muito isso.<BR><BR>Enfim, a falta de educação não está batendo na bunda de ninguém, como<BR>você disse: " o povo está entendendo esses discursos?", é óbvio que<BR>não, na verdade o grande desafio da educação no Brasil é recuperar uma<BR>dívida social, dívida essa que a classe dominante nunca esteve<BR>disposta a pagar. Mas de uma coisa eu tenho certeza, não será sempre<BR>assim, e é essa certeza que me faz esfolar-me na graduação, na<BR>educação que eu passo a minha filha, um dia, pode apostar, esse regime<BR>não servirá mais, e qualquer faísca servirá para ascender o estopim na<BR>sociedade, e quem viver...[   ]<BR><BR><BR>Abraços<BR><BR>Bruno Abud<BR><BR>Citando <A href="mailto:sergio.varella@usp.br">sergio.varella@usp.br</A>:<BR>
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<DIV></DIV>
<DIV class=h5><BR>> Bom dia.<BR>><BR>> Mais um discurso, e intervenção, cheio de boas intenções e tentativa<BR>> de erudição ao mesmo tempo em que os resultados do ENEM comprovam que<BR>> o ensino público é ruim. Erudição para quem? Quantos brasileiros<BR>> conseguem entender o que foi falado? Além do mais, temos muitas peças<BR>> desse tipo ao longo de nossa História.<BR>><BR>> Executivo, Legislativo, Judiciário, mídia. Onde está o resto do país?<BR>><BR>> Como sempre, falta um sentido prático para o discurso, o que fazer,<BR>> qual a ação a ser tomada, qual é a proposta, qual o plano, quem faz o<BR>> quê, quando começa, quais são os próximos passos, que medidas estão<BR>> sendo efetivadas.<BR>><BR>> Falar é fácil, fazer é que são elas!<BR>><BR>> Sergio Luiz Antunes Varella.<BR>> EPP2-Escritório para Projeto de Políticas Públicas.<BR>><BR>><BR>> Citando "Prof. Dr. Marcelo Arno Nerling" <<A href="mailto:mnerling@usp.br">mnerling@usp.br</A>>:<BR>><BR>>> Prezados Inácio e Hélio,<BR>>> não gostaria de perder a oportunidade de entrar nessa história<BR>>> convosco, brasileiros atentos que cumprem um importante papela nessa<BR>>> nova mídia que é a Internet.<BR>>> Acredito que a Lista GIAL contribui para que passemos da condição de<BR>>> atores para a condição de cidadãos. A fala do Senador é ótima. Com ele:<BR>>> "Quando a gente fica na aparência, ao invés de ficar na substância, é<BR>>> porque a gente não está querendo enfrentar o problema. E se a gente<BR>>> não quer enfrentar o problema, a gente está se comportando, cada um de<BR>>> nós, como figurantes de uma grande peça chamada História do Brasil,<BR>>> que pode terminar numa tragédia que a gente não quer que aconteça, mas<BR>>> que a gente faz tudo para que ela aconteça como a gente não quer".<BR>>> Lutemos tod@s para que o descrédito não acabe com nossas Instituições!<BR>>> Saudações democráticas,<BR>>> --<BR>>> Prof. Dr. Marcelo Arno Nerling<BR>>> Curso de Gestão de Políticas Públicas<BR>>> Escola de Artes, Ciências e Humanidades<BR>>> Universidade de São Paulo - USP<BR>>><BR>>><BR>>> Citando Hélio Leite Teixeira <<A href="mailto:heliolteixeira@gmail.com">heliolteixeira@gmail.com</A>>:<BR>>><BR>>>> Inacio,<BR>>>><BR>>>> Não sou muito de elogiar políticos ou ocupantes de cargos públicos...<BR>>>> Mas o cidadão Cristóvam Buarque é um caso a parte.<BR>>>><BR>>>> Um dos homens públicos mais admiráveis do nosso país. Além da sua luta<BR>>>> contra a ditadura militar ele é um dos poucos políticos que dedica<BR>>>> praticamente todo o seu mandato para defender a questão mais<BR>>>> importante para o desenvolvimento do país, a Educação. E ainda é<BR>>>> criticado por isso, dá pra acreditar????<BR>>>><BR>>>> Para quem se interessa pelo assunto educação e ainda não conhece as<BR>>>> posições e idéias defendidas por ele, aqui vai uma dica:<BR>>>><BR>>>> <A href="http://comunicacaochapabranca.com.br/?p=5183">http://comunicacaochapabranca.com.br/?p=5183</A><BR>>>><BR>>>> Inacio, parabéns por sua brilhante intervenção!!!<BR>>>><BR>>>> Grande abraço,<BR>>>><BR>>>> Hélio Teixeira<BR>>>> ALE/AL<BR>>>><BR>>>> 2009/4/28  <<A href="mailto:inaciojunior@usp.br">inaciojunior@usp.br</A>>:<BR>>>>> Car@s,<BR>>>>><BR>>>>> Semana passada cheguei em casa tarde da noite e cansado dei uma<BR>>>>> cochilada no sofá. Por acaso acabei deixando a televisão ligada na TV<BR>>>>> senado, quando eu acordei ouvindo o Cristóvam Buarque fazendo um dos<BR>>>>> pronunciamentos mais belos que já vi e que não via desde os tempos da<BR>>>>> Ditadura Militar. Compartilho com vocês abaixo.<BR>>>>><BR>>>>> Talvez valha uma reflexão para o legislativo local.<BR>>>>><BR>>>>> Inté<BR>>>>><BR>>>>> Inácio<BR>>>>><BR>>>>><BR>>>>> O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT ¿ DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem<BR>>>>> revisão do orador.) ¿ Sr. Presidente e Senador Mão Santa, demorei<BR>>>>> muito, na minha história de leitor, para gostar de ler peças de<BR>>>>> teatro. Mas chego ao ponto ¿ talvez seja a idade que facilite ¿ que<BR>>>>> terminei adquirindo esse gosto. Estou vendo, Senador Paim, como estão<BR>>>>> parecidas as peças gregas, as peças trágicas de Shakespeare com os<BR>>>>> jornais brasileiros de hoje. A sensação que tenho, ao ler os jornais,<BR>>>>> é que estou lendo as tragédias especialmente gregas. Vou explicar por<BR>>>>> quê.<BR>>>>> Quando a gente assiste a uma peça de teatro, dessas mais trágicas, o<BR>>>>> bom ator passa para nós a idéia de que está cumprindo um papel que<BR>>>>> preferiria que não acontecesse no final. Ele passa a sensação ¿ cada<BR>>>>> um deles ¿ de que seria melhor que, no final, não houvesse a morte, as<BR>>>>> diversas formas como a tragédia se manifesta. Mas, apesar de ele<BR>>>>> passar a idéia de que não deseja aquele final, ele cumpre cada passo<BR>>>>> definido pelo dramaturgo para que o final seja trágico.<BR>>>>> Estamos assim. Estamos hoje funcionando como se não quiséssemos que<BR>>>>> houvesse um final trágico, mas fazendo tudo aquilo que é preciso para<BR>>>>> que a tragédia aconteça. Vamos analisar quais são os setores.<BR>>>>> Comecemos por nós próprios.<BR>>>>> Nós sabemos que hoje, diante de nós, por cima de nós, está uma<BR>>>>> quantidade de holofotes nos observando, uma transparência criada pela<BR>>>>> força da democracia que faz com que cada pequeno ou grande pecado<BR>>>>> cometido seja visto com a dimensão da gravidade que a mídia transmite.<BR>>>>> Apesar disso, a gente continua fazendo gestos que nos levam a uma<BR>>>>> imagem negativa lá fora. Nós estamos fazendo isso. Às vezes, coisas<BR>>>>> simples, às vezes, coisas graves. Por exemplo, a ausência nossa... E<BR>>>>> eu quero deixar claro que quando eu digo nossa, eu estou me incluindo.<BR>>>>> Não há aqui ninguém melhor do que o outro. Nós somos aqui um<BR>>>>> Parlamento. Nossa ausência. A gente está vindo dois, três dias por<BR>>>>> semana aqui, salvo um ou outro. Mas mesmo com esse um ou outro que vem<BR>>>>> aqui, a gente não tem chance de votar, de debater, de analisar, de<BR>>>>> enfrentar. A gente faz um discurso, e cai no vazio, porque ninguém<BR>>>>> assiste e, os poucos que assistem, não respondem, não discutem, não<BR>>>>> confrontam, que é a finalidade de um parlamento.<BR>>>>> Nós estamos cometendo uma forma de comportamento que leva,<BR>>>>> necessariamente, à descrença. E a descrença com o Congresso é uma<BR>>>>> tragédia para a democracia.<BR>>>>> O próprio assunto, Senador Mão Santa, sobre o qual alguns já falaram<BR>>>>> hoje, das passagens para as famílias, eu quero dizer, em primeiro<BR>>>>> lugar, que nós, Senadores de Brasília, eu e os outros dois, a gente<BR>>>>> não deve receber passagem nenhuma para familiares. Nenhuma, nenhuma,<BR>>>>> nenhuma. Agora, os Parlamentares de outros Estados deviam ser<BR>>>>> obrigados a trazer suas famílias para viver em Brasília. Deviam<BR>>>>> receber, pelo menos, uma passagem por semestre para todos os seus<BR>>>>> familiares, da sua cidade para Brasília, como fazem as empresas quando<BR>>>>> transferem um executivo. E uma das falhas dessa tragédia que se<BR>>>>> anuncia é a mudança no comportamento nosso, dos Parlamentares, de um<BR>>>>> tempo passado em que as famílias vinham viver aqui e os Parlamentares<BR>>>>> ficavam o tempo todo aqui, com essa mania de hoje de vir e, toda<BR>>>>> semana, ir visitar a família lá fora, em sua casa.<BR>>>>> Isso está nos afastando, entre nós Parlamentares, está afastando os<BR>>>>> Parlamentares não apenas das suas famílias, mas da possibilidade de<BR>>>>> exercermos o papel de Parlamentares, que é parlamentar, que é se<BR>>>>> encontrar, que é conviver, que é debater.<BR>>>>> Nós parecemos hoje personagens de uma tragédia grega, fazendo aquilo<BR>>>>> que a gente não quer que leve a um desenlace trágico, mas fazendo<BR>>>>> mesmo assim, esperando que, no final, o público chore com aquilo que a<BR>>>>> gente representou. Nós não estamos trazendo aqui os grandes temas<BR>>>>> nacionais, não estamos debatendo a pauta do povo, salvo uma ou outra<BR>>>>> vez em que a gente fez, graças inclusive ao Senador Paim, as vigílias.<BR>>>>> Mas, cadê as outras? Fizemos a dos aposentados, mas cadê a vigília<BR>>>>> para discutir a situação das crianças? Cadê a vigília para discutir a<BR>>>>> situação da infraestrutura? Cadê a vigília para discutir o próprio<BR>>>>> Congresso, numa noite inteira, todo mundo debatendo? Além disso, vamos<BR>>>>> lembrar bem, as nossas vigílias tinham cinco, seis pessoas aqui<BR>>>>> dentro. Nós estamos nos comportando como figurantes de uma tragédia<BR>>>>> que a gente não quer que aconteça, mas a gente cumpre o papel para<BR>>>>> isso. Mas não venham dizer que somos apenas nós os congressistas.<BR>>>>> Vamos olhar o Poder Executivo. O Poder Executivo está-se comportando<BR>>>>> como se não desse atenção, como se quisesse evitar uma tragédia, mas<BR>>>>> faz tudo para que aconteça.<BR>>>>> As medidas provisórias que paralisam o Congresso. As medidas<BR>>>>> provisórias que substituem os projetos dos próprios congressistas.<BR>>>>> O excesso de publicidade do Governo para mostrar como se só o<BR>>>>> Executivo funcionasse neste País e nós fôssemos um apêndice secundário<BR>>>>> do processo democrático.<BR>>>>> O Presidente da República, provavelmente sem querer, está sendo hoje<BR>>>>> um figurante de uma tragédia que se anuncia, que a gente caminha para<BR>>>>> acontecer, que é o descrédito nas instituições.<BR>>>>> Mas não só o Poder Executivo, o Judiciário também. E eu não falo<BR>>>>> apenas do confronto entre dois juízes diante das televisões, ou pelo<BR>>>>> menos diante da TV Justiça. Não, eu falo mais grave que isso. Falo,<BR>>>>> por exemplo, que nós estamos, hoje, naquele choque entre juízes,<BR>>>>> analisando se foi ou não falta de decoro. E não analisando se tem ou<BR>>>>> não verdade por trás do que eles disseram.<BR>>>>> Quando a gente fica na aparência, ao invés de ficar na substância, é<BR>>>>> porque a gente não está querendo enfrentar o problema. E se a gente<BR>>>>> não quer enfrentar o problema, a gente está-se comportando, cada um de<BR>>>>> nós, como figurantes de uma grande peça chamada História do Brasil,<BR>>>>> que pode terminar numa tragédia que a gente não quer que aconteça, mas<BR>>>>> que a gente faz tudo para que ela aconteça como a gente não quer.<BR>>>>> E quando a Justiça se intromete no Poder Legislativo como tem feito<BR>>>>> sistematicamente? E quando a Justiça manda tirar as algemas dos ricos<BR>>>>> e fecha os olhas às algemas nos braços dos pobres? Como se algema não<BR>>>>> pudesse sujar os punhos de seda dos ricos, mas pudesse ser colocada<BR>>>>> nos punhos dos pobres que vão sem camisa para a frente da televisão.<BR>>>>> A Justiça, quando faz isso, está colaborando para uma tragédia, a<BR>>>>> tragédia na descrença das instituições democráticas. Não estão<BR>>>>> querendo que aconteça o trágico, mas estão agindo para que ele, no<BR>>>>> final, aconteça.<BR>>>>> Nós vimos três setores que estão fazendo isso.<BR>>>>> Mas a mídia também. A mídia. Não por dizer o que diz, mas por<BR>>>>> limitar-se quase que apenas ao dizer o que diz. A mídia esqueceu os<BR>>>>> debates que a gente tem que fazer neste País, entre um país velho que<BR>>>>> tem que morrer e um novo que tem que surgir, o velho da destruição<BR>>>>> ecológica, o velho da concentração de renda, para surgir o novo, do<BR>>>>> desenvolvimento equilibrado social e ecologicamente com democracia. A<BR>>>>> gente não vê esse debate na mídia. Será que ninguém está falando isso?<BR>>>>> Ou é a mídia que se acostumou a uma única pauta, necessária, mas<BR>>>>> insuficiente, que é a pauta do escândalo.<BR>>>>> Nós temos hoje uma relação que tem tudo a ver com o teatro, é uma<BR>>>>> relação sadomasoquista entre políticos e jornalistas. Hoje é uma<BR>>>>> relação sadomasoquista. E nós somos os masoquistas. E eles são os<BR>>>>> sádicos. Nós somos os masoquistas porque fazemos coisas que levam a<BR>>>>> mídia, corretamente, a denunciar, e, depois, nós sofremos com a<BR>>>>> denúncia que eles fazem. Mas o pior é que eles sentem prazer em<BR>>>>> denunciar as coisas que são denunciadas. Eu não vejo que a mídia diz:<BR>>>>> ¿Eu tenho que dizer essas coisas feias que estão acontecendo com<BR>>>>> tristeza e lamentando, porque era melhor que este Congresso fosse<BR>>>>> feito apenas de santos¿. Eu não vejo. A sensação que tenho é que há<BR>>>>> uma certa alegria em descobrir mais um crime, mais um pecado, mais um<BR>>>>> comportamento errado, e isso é característica dos sádicos. Nós somos<BR>>>>> os masoquistas. Nós estamos dando as armas para eles. A mídia não tem<BR>>>>> mentido, o que a mídia tem feito é esquecido o resto da verdade que<BR>>>>> acontece nesta Casa que defende a democracia. Vê-se que cada um de nós<BR>>>>> está fazendo a sua parte, Senador Mão Santa, para um desenlace<BR>>>>> negativo, trágico, mas a gente está fazendo cada um a sua parte, como<BR>>>>> os personagens das tragédias gregas ou das tragédias de Shakespeare: o<BR>>>>> autor age como se ele não quisesse que o final fosse aquela situação.<BR>>>>> Quer dizer, ele não deixa, não interrompe no meio, não muda o rumo<BR>>>>> traçado pelo dramaturgo. Nós estamos como se fôssemos os atores de uma<BR>>>>> grande peça inventada por alguém neste País ou neste mundo que é o<BR>>>>> destino do Brasil.<BR>>>>> Vou mostrar que há mais indicações disso, são as indicações mais antigas.<BR>>>>> Anteontem não ouvi ninguém comentar, mas nós comemoramos 509 anos da<BR>>>>> chegada dos europeus aqui, em terras brasileiras. E esses 509 anos<BR>>>>> parecem ser uma imensa peça trágica teatral, que se limitou no começo<BR>>>>> ¿ e não mudou muito ¿ a matar e a escravizar os índios e a saquear a<BR>>>>> terra, porque foi isso o que aconteceu no início da colonização:<BR>>>>> matamos. E veja que eu continuo colocando no plural: incluindo-me como<BR>>>>> parte desses portugueses, descendentes todos nós que somos deles,<BR>>>>> direta ou indiretamente. Nós nos dedicamos a arrancar pau-brasil e a<BR>>>>> matar índios; às vezes, matando-os fisicamente e, às vezes, matando-os<BR>>>>> pela conversão a uma religião que entrava forçosamente na alma deles,<BR>>>>> porque a religião deles era outra. Também é uma forma de canibalismo<BR>>>>> fazer certas conversões. Canibalismo não é só comer carne, como os<BR>>>>> índios comeram a de um bispo; canibalismo também tem na alma, quando<BR>>>>> um bispo converte, de uma maneira forçada, um grupo de outra religião.<BR>>>>> E de lá para cá? De lá para cá, nós concentramos nossa história,<BR>>>>> durante 480 anos quase, a explorar, a matar, a saquear ¿ e não só os<BR>>>>> índios ¿ os negros africanos. Estava na cara, como se diz, que não<BR>>>>> iria dar certo uma economia com base na escravidão. Não dá certo<BR>>>>> eticamente, não dá certo moralmente, não dá certo nem economicamente<BR>>>>> manter todos aqueles milhões de escravos fora da economia, apenas como<BR>>>>> se fossem máquinas, sem consumir. O mercado é inaproveitado.<BR>>>>> Um mercado inaproveitado. Não podia dar certo e não deu certo. Além<BR>>>>> disso, fizemos o mesmo, só que substituindo o pau-brasil, que a gente<BR>>>>> mandava para fora, pela cana, pelo algodão, pelo ouro, pelo café, mas<BR>>>>> uma economia baseada na exportação de bens primários, quando os outros<BR>>>>> países começavam a industrialização. Tinha que dar errado. Mas nós do<BR>>>>> passado brasileiros, nós dirigentes no passado brasileiros agimos como<BR>>>>> se fôssemos parte de uma tragédia predefinida, escrita por um<BR>>>>> dramaturgo como se nós não tivéssemos o poder de mudar o destino dos<BR>>>>> personagens. Porque é isso que caracteriza os atores. Eles não têm o<BR>>>>> poder de mudar o destino dos personagens, eles sofrem com aquele<BR>>>>> destino que vai acontecer, mas eles dizem todas palavras, eles colocam<BR>>>>> toda a poesia que um dramaturgo escreveu.<BR>>>>> Essa é a sensação que tenho hoje como político. Que eu estou dizendo<BR>>>>> as palavras que foram traçadas para serem ditas, fazendo aquilo que<BR>>>>> fomos traçados para fazer, como se não tivéssemos o poder de mudar a<BR>>>>> história porque a história é uma peça de teatro. Essa é a sensação que<BR>>>>> tenho. E chegamos hoje aonde nessa peça? Chegamos hoje a um País que<BR>>>>> tem 14 milhões de analfabetos adultos. Chegamos a uma tragédia. Quem<BR>>>>> não percebe? Chegamos a um País que está em guerra civil e a gente<BR>>>>> parece que não percebe. Chegamos a um País onde apenas um terço das<BR>>>>> crianças terminam o segundo grau e sem qualidade suficiente para<BR>>>>> enfrentar o mundo de hoje, como o próprio Senador Paim falou mais cedo<BR>>>>> ao insistir na criação de um fundo para a escola do ensino técnico.<BR>>>>> Chegamos a um País em que, 500 anos depois, comemoramos anteontem,<BR>>>>> continua-se exportando basicamente ferro e soja, agricultura e pedras,<BR>>>>> como fizemos no passado. E aí alguns dizem: mas já exportamos<BR>>>>> automóveis e aviões. Automóveis e aviões que são importados,<BR>>>>> especialmente os automóveis, sem nenhuma contribuição, quase,<BR>>>>> científica e tecnológica brasileira. E aviões que têm, sim, uma<BR>>>>> pequena contribuição. Tem, não há dúvida, graças a uma escola chamada<BR>>>>> Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Mas, mesmo assim, nos nossos<BR>>>>> aviões, dentro deles, há um alto conteúdo de saber, inteligência e<BR>>>>> conhecimento importados, não inventados aqui dentro.<BR>>>>> Continuamos um País cuja tragédia está em não sermos um criador de<BR>>>>> conhecimento, não sermos um criador de inteligência. Não temos um<BR>>>>> único Prêmio Nobel neste País e não há nenhum de nós que esteja por<BR>>>>> aí, no mundo científico, cultural, que dê a impressão que vá ganhar o<BR>>>>> Nobel nos próximos 20 ou 30 anos. Pode até ser, de repente, mas,<BR>>>>> aparentemente, o Brasil não vai ganhar nenhum Prêmio Nobel nos<BR>>>>> próximos 20 ou 30 anos, porque, em geral, sabemos, décadas antes,<BR>>>>> quais são aqueles que poderão ganhar um Nobel como grande<BR>>>>> reconhecimento mundial do seu saber. Não temos hoje. Temos cientistas,<BR>>>>> temos filósofos, temos escritores, mas, aparentemente, nenhum que nas<BR>>>>> próximas décadas possa-se dizer: este é o nome que vai receber o<BR>>>>> coroamento do conhecimento mundial. Podemos até ter, de repente, algum<BR>>>>> Prêmio Nobel da Paz, porque a paz, em geral, tem por causa a tragédia.<BR>>>>> Os Prêmios Nobel da Paz acontecem por causa das guerras, por causa da<BR>>>>> miséria, por causa da destruição ecológica. Não por causa do saber,<BR>>>>> não por causa da inteligência, não por causa da ciência e da tecnologia.<BR>>>>> Estamos vivendo uma grande tragédia nesse imenso palco de 8,5 milhões<BR>>>>> de Km², com quase 200 milhões de atores, porque eu falei primeiro<BR>>>>> daqueles que são os responsáveis: nós, Parlamentares, Poder Executivo<BR>>>>> e Poder Judiciário. Vamos analisar também. Todo o Poder Judiciário,<BR>>>>> todo o Poder Legislativo e todo o Poder Executivo saem do povo,<BR>>>>> especialmente o Executivo e o Legislativo, que são eleitos pelo povo.<BR>>>>> Então, o povo faz parte também dessa imensa tragédia. E esse povo já<BR>>>>> demonstrou, mais até do que nós, que, quando é preciso, ele consegue<BR>>>>> mudar o rumo da história. Eles fizeram isso em 1945, quando foram para<BR>>>>> a rua a fim de trazer de volta a democracia. Eles fizeram isso quando<BR>>>>> foram para a rua para criar a Petrobras. Eles foram para a rua pelas<BR>>>>> eleições diretas. Não foram para a rua, mas desligaram o interruptor<BR>>>>> naquela grande tragédia do apagão elétrico que nós vivemos. O povo<BR>>>>> colaborou. O povo até que, de vez em quando, dá uma virada na História<BR>>>>> deste País, muda a tragédia que foi definida por cima, como se<BR>>>>> fôssemos impotentes, como se a História não fosse a História, como se<BR>>>>> a História fosse uma peça de teatro escrita previamente e dando a cada<BR>>>>> um de nós a responsabilidade de cumprir o nosso papel, sem poder, sem<BR>>>>> imaginação, apenas com a capacidade de representar aquilo que outros<BR>>>>> querem dizer pelas nossas bocas.<BR>>>>> Fizemos 509 anos dois dias atrás. E fizemos em um processo que não tem<BR>>>>> essas diferenças todas, quando vemos a desigualdade, quando vemos as<BR>>>>> características da nossa sociedade. Claro que não é mais todo negro<BR>>>>> escravo, mas a maioria deles fora de uma escola de qualidade e poucos<BR>>>>> na universidade. Não houve grandes saltos. Claro que a escola hoje não<BR>>>>> é mais apenas para os filhos dos ricos; existem escolas para os filhos<BR>>>>> dos pobres, mas que não podem ser chamadas, com clareza, de escola,<BR>>>>> porque muitas delas não passam de restaurantes mirins para distribuir<BR>>>>> a merenda escolar e não para que se estude nelas.<BR>>>>> É tão claro que não mudamos; que o projeto que está circulando neste<BR>>>>> Congresso para que os filhos dos Parlamentares, Deputados, Vereadores,<BR>>>>> Senadores e Prefeitos devam estudar em escola pública é visto como se<BR>>>>> fosse uma demagogia, como se fosse uma impossibilidade.<BR>>>>> Da mesma maneira que neste País da tragédia, no sentido, não da<BR>>>>> maldade, da ruindade, mas no sentido da impotência em mudar o seu<BR>>>>> rumo, neste mesmo País, não faz muito, falar em abolir a escravidão<BR>>>>> era considerado demagogia, porque mesmo aqueles, Senador Paim, que<BR>>>>> defendiam os escravos, eles não defendiam a abolição. Mesmo aqueles<BR>>>>> que defendiam os escravos, eles defendiam menos chicotadas, eles<BR>>>>> defendiam que os escravos não pudessem ser assassinados, inclusive,<BR>>>>> chegaram a defender que a família não poderia ser vendida<BR>>>>> separadamente, tinha que ser vendida em bloco. Chegaram a defender<BR>>>>> que, passados 60 anos, eles ficariam livres, porque já não podiam<BR>>>>> trabalhar. Chegaram a defender que o filho da escrava não seria<BR>>>>> escravo, mas não defendiam a Abolição da Escravatura, porque isso era<BR>>>>> considerado impossível, porque isso era considerado uma<BR>>>>> impossibilidade, porque isso era considerado ferir o direito do dono<BR>>>>> do escravo, que tinha gasto um dinheirão para comprar os seus escravos<BR>>>>> e, de repente, ao abolir a escravidão, isso faria com que perdesse<BR>>>>> todo o seu capital. Era considerado demagogia, era considerado<BR>>>>> impossibilidade, era considerado falta de liberdade dar liberdade aos<BR>>>>> escravos. Dar liberdade aos escravos era considerado tirar liberdade<BR>>>>> dos donos dos escravos. Essa era uma tragédia, mas todos colaboravam<BR>>>>> para isso, até que de vez em quando surgia uma voz que mudava, como<BR>>>>> surgiu Joaquim Nabuco, que passou a defender a abolição e foi visto<BR>>>>> como um demagogo durante anos e anos, até que terminou acontecendo.<BR>>>>> Quase que por inanição a escravidão se acabou, porque já não se<BR>>>>> justificava ter que comprar escravos, já que havia muita gente<BR>>>>> querendo se vender por um salário de nada. Para que gastar dinheiro<BR>>>>> trazendo escravos de longe se eles moravam por perto? Como hoje, para<BR>>>>> que buscar um trabalhador na África, escravo, se nas favelas eles<BR>>>>> estão dispostos a trabalhar por qualquer valor? Nós passamos a ideia,<BR>>>>> o nosso Brasil, de que não somos um País com uma história sobre a qual<BR>>>>> temos o poder, sobre a qual podemos mudar de rumo. Nós passamos a<BR>>>>> ideia de que somos 200 milhões de atores de uma tragédia previamente<BR>>>>> escrita e que nosso papel é cumprir o que essa tragédia já tem<BR>>>>> predeterminada por um dramaturgo qualquer que não sabemos quem é.<BR>>>>> Está na hora de pensarmos em mudar isso. Está na hora de assumirmos<BR>>>>> que somos cidadãos, não atores. Nós somos cidadãos de uma história,<BR>>>>> nem atores de uma peça teatral, e que nós queremos que essa história<BR>>>>> traga um País melhor e não um final trágico, como aqueles que estão<BR>>>>> escritos previamente nas peças de teatro.<BR>>>>> Para isso, vamos precisar mudar algumas coisas. Mas, antes de tentar<BR>>>>> sugerir essas mudanças, Senador Paim, passo a palavra ao Senador Mão<BR>>>>> Santa, que pediu um aparte.<BR>>>>> O Sr. Mão Santa (PMDB ¿ PI) ¿ Senador Cristovam, V. Exª faz um feliz<BR>>>>> discurso, sempre com muita cultura. Às vezes, é como diz o Antoine<BR>>>>> Exupéry: a linguagem é fonte de desentendimento. Mas V. Exª, hoje ¿ a<BR>>>>> felicidade foi tão grande ¿, vai buscar a tragédia grega e citou<BR>>>>> Shakespeare, quando ele disse no Rei Lear: ¿Há algo de podre no Reino<BR>>>>> da Dinamarca¿. E me impressionou mais quando ele foi adiante e disse:<BR>>>>> ¿É melhor ser um mendigo em Nápoles do que Rei da Dinamarca¿. Paim, eu<BR>>>>> fiquei tão perplexo que, na Itália, eu fui conhecer essa Nápoles. E,<BR>>>>> realmente, a natureza foi Deus que fez, mas a cultura é o homem. E o<BR>>>>> que é que tem em Nápoles? Nápoles é aquela elite do Renascimento:<BR>>>>> Maquiavel, Dante Alighieri, Leonardo da Vinci. Todos moraram e<BR>>>>> nasceram ali; conviveram, viram a cultura, e mudaram o mundo. De lá<BR>>>>> veio o Renascimento. Mas V. Exª adverte com tanta firmeza o que nós<BR>>>>> vivemos ¿ essa tragédia ¿ e culturalmente, porque a natureza é Deus, a<BR>>>>> cultura somos nós. V. Exª fala em Prêmio Nobel da Paz. Quer dizer, a<BR>>>>> gente fica perplexo, porque não tem Nobel de nada no Brasil. Bem aí no<BR>>>>> Chile têm dois escritores: Uma mulher, Gabriela Mistral, cujos<BR>>>>> escritos são mais de cunho religioso, e o Pablo Neruda, que foi<BR>>>>> Senador da República. Então, nós temos muito a dever. Mas é aqui,<BR>>>>> aqui, aqui. Essas instituições que têm que vir. O Pedro II dava o<BR>>>>> ensinamento. Ele deixava a coroa e o cetro e ia assistir às sessões do<BR>>>>> Senado. Então, o mundo é outro. Vamos ver se os nossos, os outros<BR>>>>> Poderes, o Executivo de Sua Excelência o nosso Presidente Luiz Inácio,<BR>>>>> tomam conhecimento do seu discurso. E o outro Poder, o Judiciário,<BR>>>>> também. É com a grandeza da democracia que nós estamos a sonhar.<BR>>>>> Martin Luther King tinha um sonho... Que sejam equipotentes, um<BR>>>>> controlando o outro, um iluminando o outro. E, neste momento, você<BR>>>>> ilumina o Poder Executivo e o Poder Judiciário.<BR>>>>> O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT ¿ DF) ¿ Muito obrigado, Senador Mão Santa.<BR>>>>> E não deixei de falar que a mídia precisa descobrir o outro lado dessa<BR>>>>> tragédia, que é o lado do poder da gente de mudar as coisas, que é o<BR>>>>> lado do que está sendo feito de bom no dia a dia.<BR>>>>> Nós vivemos um momento em que, aparentemente, ninguém quer se sentir<BR>>>>> capaz de reorientar os destinos da Nação.<BR>>>>> E eu quero até concluir, Senador Paim, lembrando que me preocupa até<BR>>>>> mesmo o debate que virá no próximo ano para escolher o próximo<BR>>>>> Presidente ou Presidenta da República. A sensação que eu tenho é de<BR>>>>> que vai ser o mais chato de todos os debates da História do Brasil.<BR>>>>> Vai ser o mais monótono de todos os debates da História do Brasil,<BR>>>>> porque vão se comportar não como se fossem líderes para reorientar a<BR>>>>> História do Brasil. Eles vão se concentrar como se fossem os diretores<BR>>>>> da peça da tragédia, como se já tivesse tudo prescrito, apenas eles<BR>>>>> vão fazer mais projetos de infraestrutura, apenas eles viriam ou irão<BR>>>>> fazer um pouco mais ou menos, mas para cumprir o mesmo destino,<BR>>>>> destino que está prescrito numa frase que se diz no Brasil, como se<BR>>>>> fosse um orgulho: o País do futuro.<BR>>>>><BR>>>>> Que País do futuro? A gente quer um País que construa um futuro, um<BR>>>>> País cujo presente está a construção do futuro; e não um País cujo<BR>>>>> futuro virá automaticamente, como nas peças gregas, como nas peças<BR>>>>> teatrais das tragédias a que nós assistimos.<BR>>>>><BR>>>>> O Hamlet, que o Senador citou, não queria aparentemente, mas ele foi<BR>>>>> programado pelo dramaturgo para vingar a morte do pai, e ele fez tudo<BR>>>>> o que foi preciso para cumprir isso.<BR>>>>> Em cada peça de teatro que a gente vê, os personagens fazem tudo que o<BR>>>>> dramaturgo escreveu. Agora, num país, a gente não pode fazer aquilo<BR>>>>> que foi escrito, porque não foi escrito. Está para ser escrito. Por<BR>>>>> isso, não é peça de teatro, é História do Brasil.<BR>>>>> Nós precisamos dar um grito de independência e deixarmos de ser<BR>>>>> personagens de uma tragédia e virarmos personagens de uma história,<BR>>>>> história com ¿h¿, história feita, história construída.<BR>>>>> Mas, para isso, é preciso despertar. É preciso despertar cada um da<BR>>>>> gente do poder que a gente não sabe que tem, do poder que a gente acha<BR>>>>> que não tem, e termina se divertindo. Os Parlamentares nos divertimos<BR>>>>> fazendo essa encenação teatral; o Poder Executivo se diverte mostrando<BR>>>>> uma publicidade de uma encenação de realizações; o Poder Judiciário<BR>>>>> faz uma encenação de que há justiça. E a mídia divulga pura encenação,<BR>>>>> não penetra, não analisa, e a gente fica, cada um de nós, convivendo,<BR>>>>> sofrendo, nessa relação que eu disse sadomasoquista, mas sem querer<BR>>>>> dar o grito de que nós somos os condutores da história do País. Nós<BR>>>>> não somos personagens impotentes. Nós não estamos aqui apenas para<BR>>>>> dizer o que o dramaturgo escreveu. Nós estamos aqui para dizer aquilo<BR>>>>> que o País precisa fazer, é nós sabemos o que é. Nós sabemos que é<BR>>>>> preciso pormos juntos Executivo, Judiciário e a mídia. Bastaria dizer<BR>>>>> que a gente estaria cumprindo o nosso papel, para, mais uma vez, fazer<BR>>>>> aquilo que, em poucos momentos, nós fizemos, como em 1822, quando da<BR>>>>> luta de um país colônia, que queria ser independente, e saiu<BR>>>>> independente. Em 1889, quando um país monárquico e um republicano, e<BR>>>>> saiu o republicano. Como em 1930, um país agrícola exportador, e<BR>>>>> surgiu um país industrial. Outra vez nós precisamos fazer uma inflexão<BR>>>>> na história, dobrar a história, conduzir a história e transformar este<BR>>>>> País, de uma sociedade brutalmente desigual, como foi durante a<BR>>>>> escravidão, brutalmente depredador da natureza, como fomos toda a<BR>>>>> nossa história, preferindo o trabalho manual ao trabalho da<BR>>>>> inteligência, preferindo produzir bens materiais a produzir bens<BR>>>>> vindos da ciência e da tecnologia...<BR>>>>><BR>>>>> Nós precisamos pegar esse país velho da indústria puramente mecânica,<BR>>>>> depredadora e concentradora e daí fazer surgir um novo país, um novo<BR>>>>> país da indústria do conhecimento, respeitando o meio ambiente,<BR>>>>> distribuindo os produtos que nós temos aqui, tudo isso<BR>>>>> democraticamente e com a participação de todos, da mídia denunciando<BR>>>>> tudo de errado que existir e propondo um debate sobre tudo de novo que<BR>>>>> ainda não existe, do povo votando corretamente e indo para a rua<BR>>>>> quando for preciso para exigir os seus direitos e a construção de um<BR>>>>> país melhor.<BR>>>>><BR>>>>> E nós Parlamentares, não dando margem a tantas notícias ruins, pois<BR>>>>> nos transformamos em verdadeira fábrica de notícias negativas sobre o<BR>>>>> Congresso. E, ao mesmo tempo, mais do que isto: nos transformando em<BR>>>>> condutores deste País, não atores de uma peça predeterminada, mas<BR>>>>> autores de uma história ainda a ser construída.<BR>>>>><BR>>>>> Eu vim aqui querendo comemorar os 509 anos em que aqui chegaram os<BR>>>>> portugueses e eu gostaria de poder dizer que, junto com os índios, e,<BR>>>>> depois, junto com os africanos, construíram este País. Mas não foi<BR>>>>> assim. Chegaram aqui os portugueses e, contra os índios e contra os<BR>>>>> africanos e destruindo a natureza, fizeram este País que a gente tem<BR>>>>> hoje, que parece o resultado de uma grande tragédia.<BR>>>>> Está em tempo, porque o País é eterno, sempre haverá tempo, mas o<BR>>>>> triste é que a gente deixe passar pelas mãos da gente a chance de<BR>>>>> ainda em nossa vida nos transformarmos, de atores, em autores,<BR>>>>> transformarmos uma peça teatral em uma história nacional.<BR>>>>> Ainda é tempo de este Congresso assumir esse papel.<BR>>>>> Ainda é tempo de nós, que somos a Casa do povo, exigirmos isso do<BR>>>>> Executivo e do Judiciário. E ainda é tempo de que o nosso<BR>>>>> comportamento termine por inspirar a mídia, para que ela continue<BR>>>>> sendo a denunciadora, mas também a incendiadora, a incendiadora de um<BR>>>>> novo país, a incendiadora das ideias que iluminarão o novo país.<BR>>>>> Hoje, ela não está sendo isso. Hoje, ela está sendo, corretamente ¿ e<BR>>>>> não temos de reclamar de nada do que ela escreve ¿, apenas a<BR>>>>> denunciadora, que é um papel importante da mídia. Ela tem de ser a<BR>>>>> incendiadora no sentido de iluminar, por meio dos debates que ela<BR>>>>> transmite, das ideias que ela não está descobrindo e que existem; ela<BR>>>>> tem que iluminar um Brasil diferente, um Brasil em que os atores se<BR>>>>> transformem em autores, em que as tragédias se transformem na glória,<BR>>>>> um país onde a peça se transforme em história.<BR>>>>> É isso, Sr. Presidente Paim, que eu gostaria de dizer nesta manhã de<BR>>>>> sexta-feira, sem muitas ilusões de que vou deixar de ser um ator para<BR>>>>> ser um autor. Não tenho essas ilusões mais, talvez pela idade, mas<BR>>>>> tenho a grande esperança de, quem sabe, alguém com menos de 15 anos<BR>>>>> que tenha hoje escutado o que eu falei possa despertar e dizer ¿eu não<BR>>>>> quero ser apenas ator da grande peça Brasil; eu quero ser o autor da<BR>>>>> grande história que o Brasil poderá vir a ter, mas não terá<BR>>>>> automaticamente como muitos pensam¿.<BR>>>>><BR>>>>> Autor   Cristovam Buarque (PDT - Partido Democrático Trabalhista /DF)<BR>>>>> Data    24/04/2009      Casa    Senado Federal  Tipo    Discurso<BR>>>>> <A href="http://www.senado.gov.br/sf/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=378863">http://www.senado.gov.br/sf/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=378863</A><BR>>>>><BR>>>>><BR>>>>><BR>>>>> --<BR>>>>> Talvez um rio manso surja esta manhã.<BR>>>>> Talvez triunfe a verdade.<BR>>>>> Talvez não seja demasiado tarde<BR>>>>> para sair a semear<BR>>>>> canções de outros tempos.<BR>>>>><BR>>>>>                            Augusto Blanca<BR>>>>><BR>>>>> --<BR>>>>> Site da Comunidade GIAL<BR>>>>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/">http://colab.interlegis.gov.br</A><BR>>>>><BR>>>>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<BR>>>>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</A><BR>>>>><BR>>>>> Para administrar sua conta visite:<BR>>>>> <A href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</A><BR>>>>><BR>>>><BR>>>><BR>>>><BR>>>> --<BR>>>> Hélio Leite Teixeira<BR>>>> Assembléia Legislativa de Alagoas<BR>>>> Acesse o <A href="http://chapabranca.com/">http://ChapaBranca.com</A><BR>>>> --<BR>>>> Site da Comunidade GIAL<BR>>>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/">http://colab.interlegis.gov.br</A><BR>>>><BR>>>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<BR>>>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</A><BR>>>><BR>>>> Para administrar sua conta visite:<BR>>>> <A href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</A><BR>>>><BR>>><BR>>><BR>>><BR>>> --<BR>>> Site da Comunidade GIAL<BR>>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/">http://colab.interlegis.gov.br</A><BR>>><BR>>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<BR>>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</A><BR>>><BR>>> Para administrar sua conta visite:<BR>>> <A href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</A><BR>>><BR>><BR>><BR>><BR>> --<BR>> Site da Comunidade GIAL<BR>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/">http://colab.interlegis.gov.br</A><BR>><BR>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<BR>> <A href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</A><BR>><BR>> Para administrar sua conta visite:<BR>> <A href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</A><BR>><BR><BR><BR><BR></DIV></DIV>--<BR>
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