Senhores,<br><br>    Durante algum tempo me abstive desta discussão, mas foi impossível ficar quieto diante de tanta lenha na fogueira.<br>Pessoalmente, acho que o problema da educação no Brasil é muito mais cultural do que institucional. Já que a grande maioria das famílias e professores tende a achar que a educação é apenas para ser utilizada para passar nas provas, no vestibular e nos concursos. E acabam não aprendendo que a edudação agrega valor em nossas vidas e em nossos pequenos mundos, ou seja, faz com que olhemos o mundo com olhos de águia.<br>
Infelizmente, é pouco incutido em nossas crianças o gosto pela sabedoria e pelo conhecimento. E quando isso acontece, as crianças são chamadas de nerds ou CDFs.<br>   Pergunte para qualquer criança. Para que você vai a escola estudar? A grande maioria, vai dizer que é apenas para passar de ano e alguns poucos vão dizer que é para aprender.<br>
   Pergunte a um professor de um colégio público do interior, para que ele ensina? Ou irá dizer que é pago para isso ou para cumprir as metas governamentais. E raramente vão ouvir respostas positivas.<br>   Temos que mudar a cultura de que temos que temos "passar de ano", para a cultura de que "conhecimento é poder" e este "poder move montanhas".<br>
   Uma coisa que me incomoda no sistema de edudação atual é a desvalorização da formação e a criação da classe de trabalho professor. Hoje temos professores de física, professores de matemática, professores de quimica, professores de biologia. E na verdade deveriamos ter fisicos, matemáticos, quimicos, biologos que atuam como professores, e não professsores de ... . Como alguém ensina aquilo que não vive? Ensina aquilo que não experimenta? Aquilo que não participa?<br>
   Outra coisa, temos que valorizar nossos heróis do conhecimento, já que assim motivar as pessoas a quererem seguir este caminho. Da mesma forma que supervalorizamos nossos heróis do futebol, e com isso conseguimos uma legião de fãs. Quantos ainda se lembram, quem é o cientista quase premio Nobel, citado no e-mail anteriot? Quanto sabem qual é o escritor brasileiro que mais vende no mundo? Ou sequer o nome de nosso astronauta? E o nome do famoso físico que participou da descoberta do píon ?<br>
   Agora, pergunte quem tá na final do paulistão? Ou os nomes dos personagens da novela das oito da globo?<br>   Isto a meu ver acontece, pelo fato que supervalorizamos o que não gera conhecimento.<br>   Agora é um papel do governo somente?<br>
   Creio que não, é um papel de todos nós cidadões e podemos agir tanto isoladamente quanto coletivamente, o importante é fazer com que o conhecimento seja valorizado.<br><br>Falei demais<br>Abraços<br><br><br clear="all">
Angelo Marcondes de Oliveira Neto.<br>Assessor de informática. - Câmara Municipal de Carneirinho.<br><a href="http://www.cmcarneirinho.mg.gov.br">www.cmcarneirinho.mg.gov.br</a>  - <a href="http://uaigeek.blogspot.com">uaigeek.blogspot.com</a><br>
<a href="mailto:angelomarcondes@gmail.com">angelomarcondes@gmail.com</a> - (34) 91414287 e 9978-5076<br>"Não existe inseticida para filosofia barata"<br>
<br><br><div class="gmail_quote">2009/4/29  <span dir="ltr"><<a href="mailto:brnabud@usp.br">brnabud@usp.br</a>></span><br><blockquote class="gmail_quote" style="border-left: 1px solid rgb(204, 204, 204); margin: 0pt 0pt 0pt 0.8ex; padding-left: 1ex;">
Caro Sérgio e turma,<br>
<br>
É engraçado (para não dizer cômico) quando você chama a atenção à<br>
falta de ação incisiva na educação, pois bem, ela não faz falta, pois<br>
quando falamos que a educação no país não vai bem, qualquer criancinha<br>
(até minha filha) já tem na ponta da língua que estamos falando da<br>
educação pública, de resto, flutuamos em céu de brigadeiro, veja você:<br>
temos tecnologias exclusivas (vide petrobrás, embrapa, ITA, dentre<br>
outros pólos de excelência), temos um cientista prestes a ganhar o<br>
prêmio Nobel (vide Miguel Nicolelis que fez uma macaca mover um robô<br>
do outro lado do mundo com a força do pensamento [da própria macaca]),<br>
o ENEN consegue ranquear as melhores escolas privadas fazendo com que<br>
ela aumente suas mensalidades, e o governo com suas provas malucas<br>
(IDEB) não obrigam que muitas outras escolas privadas passem pelo<br>
crivo desse mesmo teste, existe muita ONG voltada para a educação que<br>
estão nas mãos das elites, ou seja, pra quê mudar.<br>
<br>
Vejamos a saúde, por exemplo, o atendimento básico e exames básicos<br>
(pra não dizer ridículos) é quase um mito para a população pobre<br>
(qualquer convênio ´pífio dá conta dessa demanda), diferente de outras<br>
políticas do SUS como o atendimento ao HIV e aos casos de Alta<br>
Complexidade, sem contar a distribuição gratuita de medicamentos de<br>
preços exorbitantes, onde qualquer classe-média, através de uma<br>
representação jurídica, consegue ter acesso, no entanto, o câncer não<br>
vê cor, classe, ou gênero. Conclusão: "temos um dos melhores sistemas<br>
de saúde no mundo" e eu sei que já ouvimos muito isso.<br>
<br>
Enfim, a falta de educação não está batendo na bunda de ninguém, como<br>
você disse: " o povo está entendendo esses discursos?", é óbvio que<br>
não, na verdade o grande desafio da educação no Brasil é recuperar uma<br>
dívida social, dívida essa que a classe dominante nunca esteve<br>
disposta a pagar. Mas de uma coisa eu tenho certeza, não será sempre<br>
assim, e é essa certeza que me faz esfolar-me na graduação, na<br>
educação que eu passo a minha filha, um dia, pode apostar, esse regime<br>
não servirá mais, e qualquer faísca servirá para ascender o estopim na<br>
sociedade, e quem viver...[   ]<br>
<br>
<br>
Abraços<br>
<br>
Bruno Abud<br>
<br>
Citando <a href="mailto:sergio.varella@usp.br">sergio.varella@usp.br</a>:<br>
<div><div></div><div class="h5"><br>
> Bom dia.<br>
><br>
> Mais um discurso, e intervenção, cheio de boas intenções e tentativa<br>
> de erudição ao mesmo tempo em que os resultados do ENEM comprovam que<br>
> o ensino público é ruim. Erudição para quem? Quantos brasileiros<br>
> conseguem entender o que foi falado? Além do mais, temos muitas peças<br>
> desse tipo ao longo de nossa História.<br>
><br>
> Executivo, Legislativo, Judiciário, mídia. Onde está o resto do país?<br>
><br>
> Como sempre, falta um sentido prático para o discurso, o que fazer,<br>
> qual a ação a ser tomada, qual é a proposta, qual o plano, quem faz o<br>
> quê, quando começa, quais são os próximos passos, que medidas estão<br>
> sendo efetivadas.<br>
><br>
> Falar é fácil, fazer é que são elas!<br>
><br>
> Sergio Luiz Antunes Varella.<br>
> EPP2-Escritório para Projeto de Políticas Públicas.<br>
><br>
><br>
> Citando "Prof. Dr. Marcelo Arno Nerling" <<a href="mailto:mnerling@usp.br">mnerling@usp.br</a>>:<br>
><br>
>> Prezados Inácio e Hélio,<br>
>> não gostaria de perder a oportunidade de entrar nessa história<br>
>> convosco, brasileiros atentos que cumprem um importante papela nessa<br>
>> nova mídia que é a Internet.<br>
>> Acredito que a Lista GIAL contribui para que passemos da condição de<br>
>> atores para a condição de cidadãos. A fala do Senador é ótima. Com ele:<br>
>> "Quando a gente fica na aparência, ao invés de ficar na substância, é<br>
>> porque a gente não está querendo enfrentar o problema. E se a gente<br>
>> não quer enfrentar o problema, a gente está se comportando, cada um de<br>
>> nós, como figurantes de uma grande peça chamada História do Brasil,<br>
>> que pode terminar numa tragédia que a gente não quer que aconteça, mas<br>
>> que a gente faz tudo para que ela aconteça como a gente não quer".<br>
>> Lutemos tod@s para que o descrédito não acabe com nossas Instituições!<br>
>> Saudações democráticas,<br>
>> --<br>
>> Prof. Dr. Marcelo Arno Nerling<br>
>> Curso de Gestão de Políticas Públicas<br>
>> Escola de Artes, Ciências e Humanidades<br>
>> Universidade de São Paulo - USP<br>
>><br>
>><br>
>> Citando Hélio Leite Teixeira <<a href="mailto:heliolteixeira@gmail.com">heliolteixeira@gmail.com</a>>:<br>
>><br>
>>> Inacio,<br>
>>><br>
>>> Não sou muito de elogiar políticos ou ocupantes de cargos públicos...<br>
>>> Mas o cidadão Cristóvam Buarque é um caso a parte.<br>
>>><br>
>>> Um dos homens públicos mais admiráveis do nosso país. Além da sua luta<br>
>>> contra a ditadura militar ele é um dos poucos políticos que dedica<br>
>>> praticamente todo o seu mandato para defender a questão mais<br>
>>> importante para o desenvolvimento do país, a Educação. E ainda é<br>
>>> criticado por isso, dá pra acreditar????<br>
>>><br>
>>> Para quem se interessa pelo assunto educação e ainda não conhece as<br>
>>> posições e idéias defendidas por ele, aqui vai uma dica:<br>
>>><br>
>>> <a href="http://comunicacaochapabranca.com.br/?p=5183" target="_blank">http://comunicacaochapabranca.com.br/?p=5183</a><br>
>>><br>
>>> Inacio, parabéns por sua brilhante intervenção!!!<br>
>>><br>
>>> Grande abraço,<br>
>>><br>
>>> Hélio Teixeira<br>
>>> ALE/AL<br>
>>><br>
>>> 2009/4/28  <<a href="mailto:inaciojunior@usp.br">inaciojunior@usp.br</a>>:<br>
>>>> Car@s,<br>
>>>><br>
>>>> Semana passada cheguei em casa tarde da noite e cansado dei uma<br>
>>>> cochilada no sofá. Por acaso acabei deixando a televisão ligada na TV<br>
>>>> senado, quando eu acordei ouvindo o Cristóvam Buarque fazendo um dos<br>
>>>> pronunciamentos mais belos que já vi e que não via desde os tempos da<br>
>>>> Ditadura Militar. Compartilho com vocês abaixo.<br>
>>>><br>
>>>> Talvez valha uma reflexão para o legislativo local.<br>
>>>><br>
>>>> Inté<br>
>>>><br>
>>>> Inácio<br>
>>>><br>
>>>><br>
>>>> O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT ¿ DF. Pronuncia o seguinte discurso. Sem<br>
>>>> revisão do orador.) ¿ Sr. Presidente e Senador Mão Santa, demorei<br>
>>>> muito, na minha história de leitor, para gostar de ler peças de<br>
>>>> teatro. Mas chego ao ponto ¿ talvez seja a idade que facilite ¿ que<br>
>>>> terminei adquirindo esse gosto. Estou vendo, Senador Paim, como estão<br>
>>>> parecidas as peças gregas, as peças trágicas de Shakespeare com os<br>
>>>> jornais brasileiros de hoje. A sensação que tenho, ao ler os jornais,<br>
>>>> é que estou lendo as tragédias especialmente gregas. Vou explicar por<br>
>>>> quê.<br>
>>>> Quando a gente assiste a uma peça de teatro, dessas mais trágicas, o<br>
>>>> bom ator passa para nós a idéia de que está cumprindo um papel que<br>
>>>> preferiria que não acontecesse no final. Ele passa a sensação ¿ cada<br>
>>>> um deles ¿ de que seria melhor que, no final, não houvesse a morte, as<br>
>>>> diversas formas como a tragédia se manifesta. Mas, apesar de ele<br>
>>>> passar a idéia de que não deseja aquele final, ele cumpre cada passo<br>
>>>> definido pelo dramaturgo para que o final seja trágico.<br>
>>>> Estamos assim. Estamos hoje funcionando como se não quiséssemos que<br>
>>>> houvesse um final trágico, mas fazendo tudo aquilo que é preciso para<br>
>>>> que a tragédia aconteça. Vamos analisar quais são os setores.<br>
>>>> Comecemos por nós próprios.<br>
>>>> Nós sabemos que hoje, diante de nós, por cima de nós, está uma<br>
>>>> quantidade de holofotes nos observando, uma transparência criada pela<br>
>>>> força da democracia que faz com que cada pequeno ou grande pecado<br>
>>>> cometido seja visto com a dimensão da gravidade que a mídia transmite.<br>
>>>> Apesar disso, a gente continua fazendo gestos que nos levam a uma<br>
>>>> imagem negativa lá fora. Nós estamos fazendo isso. Às vezes, coisas<br>
>>>> simples, às vezes, coisas graves. Por exemplo, a ausência nossa... E<br>
>>>> eu quero deixar claro que quando eu digo nossa, eu estou me incluindo.<br>
>>>> Não há aqui ninguém melhor do que o outro. Nós somos aqui um<br>
>>>> Parlamento. Nossa ausência. A gente está vindo dois, três dias por<br>
>>>> semana aqui, salvo um ou outro. Mas mesmo com esse um ou outro que vem<br>
>>>> aqui, a gente não tem chance de votar, de debater, de analisar, de<br>
>>>> enfrentar. A gente faz um discurso, e cai no vazio, porque ninguém<br>
>>>> assiste e, os poucos que assistem, não respondem, não discutem, não<br>
>>>> confrontam, que é a finalidade de um parlamento.<br>
>>>> Nós estamos cometendo uma forma de comportamento que leva,<br>
>>>> necessariamente, à descrença. E a descrença com o Congresso é uma<br>
>>>> tragédia para a democracia.<br>
>>>> O próprio assunto, Senador Mão Santa, sobre o qual alguns já falaram<br>
>>>> hoje, das passagens para as famílias, eu quero dizer, em primeiro<br>
>>>> lugar, que nós, Senadores de Brasília, eu e os outros dois, a gente<br>
>>>> não deve receber passagem nenhuma para familiares. Nenhuma, nenhuma,<br>
>>>> nenhuma. Agora, os Parlamentares de outros Estados deviam ser<br>
>>>> obrigados a trazer suas famílias para viver em Brasília. Deviam<br>
>>>> receber, pelo menos, uma passagem por semestre para todos os seus<br>
>>>> familiares, da sua cidade para Brasília, como fazem as empresas quando<br>
>>>> transferem um executivo. E uma das falhas dessa tragédia que se<br>
>>>> anuncia é a mudança no comportamento nosso, dos Parlamentares, de um<br>
>>>> tempo passado em que as famílias vinham viver aqui e os Parlamentares<br>
>>>> ficavam o tempo todo aqui, com essa mania de hoje de vir e, toda<br>
>>>> semana, ir visitar a família lá fora, em sua casa.<br>
>>>> Isso está nos afastando, entre nós Parlamentares, está afastando os<br>
>>>> Parlamentares não apenas das suas famílias, mas da possibilidade de<br>
>>>> exercermos o papel de Parlamentares, que é parlamentar, que é se<br>
>>>> encontrar, que é conviver, que é debater.<br>
>>>> Nós parecemos hoje personagens de uma tragédia grega, fazendo aquilo<br>
>>>> que a gente não quer que leve a um desenlace trágico, mas fazendo<br>
>>>> mesmo assim, esperando que, no final, o público chore com aquilo que a<br>
>>>> gente representou. Nós não estamos trazendo aqui os grandes temas<br>
>>>> nacionais, não estamos debatendo a pauta do povo, salvo uma ou outra<br>
>>>> vez em que a gente fez, graças inclusive ao Senador Paim, as vigílias.<br>
>>>> Mas, cadê as outras? Fizemos a dos aposentados, mas cadê a vigília<br>
>>>> para discutir a situação das crianças? Cadê a vigília para discutir a<br>
>>>> situação da infraestrutura? Cadê a vigília para discutir o próprio<br>
>>>> Congresso, numa noite inteira, todo mundo debatendo? Além disso, vamos<br>
>>>> lembrar bem, as nossas vigílias tinham cinco, seis pessoas aqui<br>
>>>> dentro. Nós estamos nos comportando como figurantes de uma tragédia<br>
>>>> que a gente não quer que aconteça, mas a gente cumpre o papel para<br>
>>>> isso. Mas não venham dizer que somos apenas nós os congressistas.<br>
>>>> Vamos olhar o Poder Executivo. O Poder Executivo está-se comportando<br>
>>>> como se não desse atenção, como se quisesse evitar uma tragédia, mas<br>
>>>> faz tudo para que aconteça.<br>
>>>> As medidas provisórias que paralisam o Congresso. As medidas<br>
>>>> provisórias que substituem os projetos dos próprios congressistas.<br>
>>>> O excesso de publicidade do Governo para mostrar como se só o<br>
>>>> Executivo funcionasse neste País e nós fôssemos um apêndice secundário<br>
>>>> do processo democrático.<br>
>>>> O Presidente da República, provavelmente sem querer, está sendo hoje<br>
>>>> um figurante de uma tragédia que se anuncia, que a gente caminha para<br>
>>>> acontecer, que é o descrédito nas instituições.<br>
>>>> Mas não só o Poder Executivo, o Judiciário também. E eu não falo<br>
>>>> apenas do confronto entre dois juízes diante das televisões, ou pelo<br>
>>>> menos diante da TV Justiça. Não, eu falo mais grave que isso. Falo,<br>
>>>> por exemplo, que nós estamos, hoje, naquele choque entre juízes,<br>
>>>> analisando se foi ou não falta de decoro. E não analisando se tem ou<br>
>>>> não verdade por trás do que eles disseram.<br>
>>>> Quando a gente fica na aparência, ao invés de ficar na substância, é<br>
>>>> porque a gente não está querendo enfrentar o problema. E se a gente<br>
>>>> não quer enfrentar o problema, a gente está-se comportando, cada um de<br>
>>>> nós, como figurantes de uma grande peça chamada História do Brasil,<br>
>>>> que pode terminar numa tragédia que a gente não quer que aconteça, mas<br>
>>>> que a gente faz tudo para que ela aconteça como a gente não quer.<br>
>>>> E quando a Justiça se intromete no Poder Legislativo como tem feito<br>
>>>> sistematicamente? E quando a Justiça manda tirar as algemas dos ricos<br>
>>>> e fecha os olhas às algemas nos braços dos pobres? Como se algema não<br>
>>>> pudesse sujar os punhos de seda dos ricos, mas pudesse ser colocada<br>
>>>> nos punhos dos pobres que vão sem camisa para a frente da televisão.<br>
>>>> A Justiça, quando faz isso, está colaborando para uma tragédia, a<br>
>>>> tragédia na descrença das instituições democráticas. Não estão<br>
>>>> querendo que aconteça o trágico, mas estão agindo para que ele, no<br>
>>>> final, aconteça.<br>
>>>> Nós vimos três setores que estão fazendo isso.<br>
>>>> Mas a mídia também. A mídia. Não por dizer o que diz, mas por<br>
>>>> limitar-se quase que apenas ao dizer o que diz. A mídia esqueceu os<br>
>>>> debates que a gente tem que fazer neste País, entre um país velho que<br>
>>>> tem que morrer e um novo que tem que surgir, o velho da destruição<br>
>>>> ecológica, o velho da concentração de renda, para surgir o novo, do<br>
>>>> desenvolvimento equilibrado social e ecologicamente com democracia. A<br>
>>>> gente não vê esse debate na mídia. Será que ninguém está falando isso?<br>
>>>> Ou é a mídia que se acostumou a uma única pauta, necessária, mas<br>
>>>> insuficiente, que é a pauta do escândalo.<br>
>>>> Nós temos hoje uma relação que tem tudo a ver com o teatro, é uma<br>
>>>> relação sadomasoquista entre políticos e jornalistas. Hoje é uma<br>
>>>> relação sadomasoquista. E nós somos os masoquistas. E eles são os<br>
>>>> sádicos. Nós somos os masoquistas porque fazemos coisas que levam a<br>
>>>> mídia, corretamente, a denunciar, e, depois, nós sofremos com a<br>
>>>> denúncia que eles fazem. Mas o pior é que eles sentem prazer em<br>
>>>> denunciar as coisas que são denunciadas. Eu não vejo que a mídia diz:<br>
>>>> ¿Eu tenho que dizer essas coisas feias que estão acontecendo com<br>
>>>> tristeza e lamentando, porque era melhor que este Congresso fosse<br>
>>>> feito apenas de santos¿. Eu não vejo. A sensação que tenho é que há<br>
>>>> uma certa alegria em descobrir mais um crime, mais um pecado, mais um<br>
>>>> comportamento errado, e isso é característica dos sádicos. Nós somos<br>
>>>> os masoquistas. Nós estamos dando as armas para eles. A mídia não tem<br>
>>>> mentido, o que a mídia tem feito é esquecido o resto da verdade que<br>
>>>> acontece nesta Casa que defende a democracia. Vê-se que cada um de nós<br>
>>>> está fazendo a sua parte, Senador Mão Santa, para um desenlace<br>
>>>> negativo, trágico, mas a gente está fazendo cada um a sua parte, como<br>
>>>> os personagens das tragédias gregas ou das tragédias de Shakespeare: o<br>
>>>> autor age como se ele não quisesse que o final fosse aquela situação.<br>
>>>> Quer dizer, ele não deixa, não interrompe no meio, não muda o rumo<br>
>>>> traçado pelo dramaturgo. Nós estamos como se fôssemos os atores de uma<br>
>>>> grande peça inventada por alguém neste País ou neste mundo que é o<br>
>>>> destino do Brasil.<br>
>>>> Vou mostrar que há mais indicações disso, são as indicações mais antigas.<br>
>>>> Anteontem não ouvi ninguém comentar, mas nós comemoramos 509 anos da<br>
>>>> chegada dos europeus aqui, em terras brasileiras. E esses 509 anos<br>
>>>> parecem ser uma imensa peça trágica teatral, que se limitou no começo<br>
>>>> ¿ e não mudou muito ¿ a matar e a escravizar os índios e a saquear a<br>
>>>> terra, porque foi isso o que aconteceu no início da colonização:<br>
>>>> matamos. E veja que eu continuo colocando no plural: incluindo-me como<br>
>>>> parte desses portugueses, descendentes todos nós que somos deles,<br>
>>>> direta ou indiretamente. Nós nos dedicamos a arrancar pau-brasil e a<br>
>>>> matar índios; às vezes, matando-os fisicamente e, às vezes, matando-os<br>
>>>> pela conversão a uma religião que entrava forçosamente na alma deles,<br>
>>>> porque a religião deles era outra. Também é uma forma de canibalismo<br>
>>>> fazer certas conversões. Canibalismo não é só comer carne, como os<br>
>>>> índios comeram a de um bispo; canibalismo também tem na alma, quando<br>
>>>> um bispo converte, de uma maneira forçada, um grupo de outra religião.<br>
>>>> E de lá para cá? De lá para cá, nós concentramos nossa história,<br>
>>>> durante 480 anos quase, a explorar, a matar, a saquear ¿ e não só os<br>
>>>> índios ¿ os negros africanos. Estava na cara, como se diz, que não<br>
>>>> iria dar certo uma economia com base na escravidão. Não dá certo<br>
>>>> eticamente, não dá certo moralmente, não dá certo nem economicamente<br>
>>>> manter todos aqueles milhões de escravos fora da economia, apenas como<br>
>>>> se fossem máquinas, sem consumir. O mercado é inaproveitado.<br>
>>>> Um mercado inaproveitado. Não podia dar certo e não deu certo. Além<br>
>>>> disso, fizemos o mesmo, só que substituindo o pau-brasil, que a gente<br>
>>>> mandava para fora, pela cana, pelo algodão, pelo ouro, pelo café, mas<br>
>>>> uma economia baseada na exportação de bens primários, quando os outros<br>
>>>> países começavam a industrialização. Tinha que dar errado. Mas nós do<br>
>>>> passado brasileiros, nós dirigentes no passado brasileiros agimos como<br>
>>>> se fôssemos parte de uma tragédia predefinida, escrita por um<br>
>>>> dramaturgo como se nós não tivéssemos o poder de mudar o destino dos<br>
>>>> personagens. Porque é isso que caracteriza os atores. Eles não têm o<br>
>>>> poder de mudar o destino dos personagens, eles sofrem com aquele<br>
>>>> destino que vai acontecer, mas eles dizem todas palavras, eles colocam<br>
>>>> toda a poesia que um dramaturgo escreveu.<br>
>>>> Essa é a sensação que tenho hoje como político. Que eu estou dizendo<br>
>>>> as palavras que foram traçadas para serem ditas, fazendo aquilo que<br>
>>>> fomos traçados para fazer, como se não tivéssemos o poder de mudar a<br>
>>>> história porque a história é uma peça de teatro. Essa é a sensação que<br>
>>>> tenho. E chegamos hoje aonde nessa peça? Chegamos hoje a um País que<br>
>>>> tem 14 milhões de analfabetos adultos. Chegamos a uma tragédia. Quem<br>
>>>> não percebe? Chegamos a um País que está em guerra civil e a gente<br>
>>>> parece que não percebe. Chegamos a um País onde apenas um terço das<br>
>>>> crianças terminam o segundo grau e sem qualidade suficiente para<br>
>>>> enfrentar o mundo de hoje, como o próprio Senador Paim falou mais cedo<br>
>>>> ao insistir na criação de um fundo para a escola do ensino técnico.<br>
>>>> Chegamos a um País em que, 500 anos depois, comemoramos anteontem,<br>
>>>> continua-se exportando basicamente ferro e soja, agricultura e pedras,<br>
>>>> como fizemos no passado. E aí alguns dizem: mas já exportamos<br>
>>>> automóveis e aviões. Automóveis e aviões que são importados,<br>
>>>> especialmente os automóveis, sem nenhuma contribuição, quase,<br>
>>>> científica e tecnológica brasileira. E aviões que têm, sim, uma<br>
>>>> pequena contribuição. Tem, não há dúvida, graças a uma escola chamada<br>
>>>> Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Mas, mesmo assim, nos nossos<br>
>>>> aviões, dentro deles, há um alto conteúdo de saber, inteligência e<br>
>>>> conhecimento importados, não inventados aqui dentro.<br>
>>>> Continuamos um País cuja tragédia está em não sermos um criador de<br>
>>>> conhecimento, não sermos um criador de inteligência. Não temos um<br>
>>>> único Prêmio Nobel neste País e não há nenhum de nós que esteja por<br>
>>>> aí, no mundo científico, cultural, que dê a impressão que vá ganhar o<br>
>>>> Nobel nos próximos 20 ou 30 anos. Pode até ser, de repente, mas,<br>
>>>> aparentemente, o Brasil não vai ganhar nenhum Prêmio Nobel nos<br>
>>>> próximos 20 ou 30 anos, porque, em geral, sabemos, décadas antes,<br>
>>>> quais são aqueles que poderão ganhar um Nobel como grande<br>
>>>> reconhecimento mundial do seu saber. Não temos hoje. Temos cientistas,<br>
>>>> temos filósofos, temos escritores, mas, aparentemente, nenhum que nas<br>
>>>> próximas décadas possa-se dizer: este é o nome que vai receber o<br>
>>>> coroamento do conhecimento mundial. Podemos até ter, de repente, algum<br>
>>>> Prêmio Nobel da Paz, porque a paz, em geral, tem por causa a tragédia.<br>
>>>> Os Prêmios Nobel da Paz acontecem por causa das guerras, por causa da<br>
>>>> miséria, por causa da destruição ecológica. Não por causa do saber,<br>
>>>> não por causa da inteligência, não por causa da ciência e da tecnologia.<br>
>>>> Estamos vivendo uma grande tragédia nesse imenso palco de 8,5 milhões<br>
>>>> de Km², com quase 200 milhões de atores, porque eu falei primeiro<br>
>>>> daqueles que são os responsáveis: nós, Parlamentares, Poder Executivo<br>
>>>> e Poder Judiciário. Vamos analisar também. Todo o Poder Judiciário,<br>
>>>> todo o Poder Legislativo e todo o Poder Executivo saem do povo,<br>
>>>> especialmente o Executivo e o Legislativo, que são eleitos pelo povo.<br>
>>>> Então, o povo faz parte também dessa imensa tragédia. E esse povo já<br>
>>>> demonstrou, mais até do que nós, que, quando é preciso, ele consegue<br>
>>>> mudar o rumo da história. Eles fizeram isso em 1945, quando foram para<br>
>>>> a rua a fim de trazer de volta a democracia. Eles fizeram isso quando<br>
>>>> foram para a rua para criar a Petrobras. Eles foram para a rua pelas<br>
>>>> eleições diretas. Não foram para a rua, mas desligaram o interruptor<br>
>>>> naquela grande tragédia do apagão elétrico que nós vivemos. O povo<br>
>>>> colaborou. O povo até que, de vez em quando, dá uma virada na História<br>
>>>> deste País, muda a tragédia que foi definida por cima, como se<br>
>>>> fôssemos impotentes, como se a História não fosse a História, como se<br>
>>>> a História fosse uma peça de teatro escrita previamente e dando a cada<br>
>>>> um de nós a responsabilidade de cumprir o nosso papel, sem poder, sem<br>
>>>> imaginação, apenas com a capacidade de representar aquilo que outros<br>
>>>> querem dizer pelas nossas bocas.<br>
>>>> Fizemos 509 anos dois dias atrás. E fizemos em um processo que não tem<br>
>>>> essas diferenças todas, quando vemos a desigualdade, quando vemos as<br>
>>>> características da nossa sociedade. Claro que não é mais todo negro<br>
>>>> escravo, mas a maioria deles fora de uma escola de qualidade e poucos<br>
>>>> na universidade. Não houve grandes saltos. Claro que a escola hoje não<br>
>>>> é mais apenas para os filhos dos ricos; existem escolas para os filhos<br>
>>>> dos pobres, mas que não podem ser chamadas, com clareza, de escola,<br>
>>>> porque muitas delas não passam de restaurantes mirins para distribuir<br>
>>>> a merenda escolar e não para que se estude nelas.<br>
>>>> É tão claro que não mudamos; que o projeto que está circulando neste<br>
>>>> Congresso para que os filhos dos Parlamentares, Deputados, Vereadores,<br>
>>>> Senadores e Prefeitos devam estudar em escola pública é visto como se<br>
>>>> fosse uma demagogia, como se fosse uma impossibilidade.<br>
>>>> Da mesma maneira que neste País da tragédia, no sentido, não da<br>
>>>> maldade, da ruindade, mas no sentido da impotência em mudar o seu<br>
>>>> rumo, neste mesmo País, não faz muito, falar em abolir a escravidão<br>
>>>> era considerado demagogia, porque mesmo aqueles, Senador Paim, que<br>
>>>> defendiam os escravos, eles não defendiam a abolição. Mesmo aqueles<br>
>>>> que defendiam os escravos, eles defendiam menos chicotadas, eles<br>
>>>> defendiam que os escravos não pudessem ser assassinados, inclusive,<br>
>>>> chegaram a defender que a família não poderia ser vendida<br>
>>>> separadamente, tinha que ser vendida em bloco. Chegaram a defender<br>
>>>> que, passados 60 anos, eles ficariam livres, porque já não podiam<br>
>>>> trabalhar. Chegaram a defender que o filho da escrava não seria<br>
>>>> escravo, mas não defendiam a Abolição da Escravatura, porque isso era<br>
>>>> considerado impossível, porque isso era considerado uma<br>
>>>> impossibilidade, porque isso era considerado ferir o direito do dono<br>
>>>> do escravo, que tinha gasto um dinheirão para comprar os seus escravos<br>
>>>> e, de repente, ao abolir a escravidão, isso faria com que perdesse<br>
>>>> todo o seu capital. Era considerado demagogia, era considerado<br>
>>>> impossibilidade, era considerado falta de liberdade dar liberdade aos<br>
>>>> escravos. Dar liberdade aos escravos era considerado tirar liberdade<br>
>>>> dos donos dos escravos. Essa era uma tragédia, mas todos colaboravam<br>
>>>> para isso, até que de vez em quando surgia uma voz que mudava, como<br>
>>>> surgiu Joaquim Nabuco, que passou a defender a abolição e foi visto<br>
>>>> como um demagogo durante anos e anos, até que terminou acontecendo.<br>
>>>> Quase que por inanição a escravidão se acabou, porque já não se<br>
>>>> justificava ter que comprar escravos, já que havia muita gente<br>
>>>> querendo se vender por um salário de nada. Para que gastar dinheiro<br>
>>>> trazendo escravos de longe se eles moravam por perto? Como hoje, para<br>
>>>> que buscar um trabalhador na África, escravo, se nas favelas eles<br>
>>>> estão dispostos a trabalhar por qualquer valor? Nós passamos a ideia,<br>
>>>> o nosso Brasil, de que não somos um País com uma história sobre a qual<br>
>>>> temos o poder, sobre a qual podemos mudar de rumo. Nós passamos a<br>
>>>> ideia de que somos 200 milhões de atores de uma tragédia previamente<br>
>>>> escrita e que nosso papel é cumprir o que essa tragédia já tem<br>
>>>> predeterminada por um dramaturgo qualquer que não sabemos quem é.<br>
>>>> Está na hora de pensarmos em mudar isso. Está na hora de assumirmos<br>
>>>> que somos cidadãos, não atores. Nós somos cidadãos de uma história,<br>
>>>> nem atores de uma peça teatral, e que nós queremos que essa história<br>
>>>> traga um País melhor e não um final trágico, como aqueles que estão<br>
>>>> escritos previamente nas peças de teatro.<br>
>>>> Para isso, vamos precisar mudar algumas coisas. Mas, antes de tentar<br>
>>>> sugerir essas mudanças, Senador Paim, passo a palavra ao Senador Mão<br>
>>>> Santa, que pediu um aparte.<br>
>>>> O Sr. Mão Santa (PMDB ¿ PI) ¿ Senador Cristovam, V. Exª faz um feliz<br>
>>>> discurso, sempre com muita cultura. Às vezes, é como diz o Antoine<br>
>>>> Exupéry: a linguagem é fonte de desentendimento. Mas V. Exª, hoje ¿ a<br>
>>>> felicidade foi tão grande ¿, vai buscar a tragédia grega e citou<br>
>>>> Shakespeare, quando ele disse no Rei Lear: ¿Há algo de podre no Reino<br>
>>>> da Dinamarca¿. E me impressionou mais quando ele foi adiante e disse:<br>
>>>> ¿É melhor ser um mendigo em Nápoles do que Rei da Dinamarca¿. Paim, eu<br>
>>>> fiquei tão perplexo que, na Itália, eu fui conhecer essa Nápoles. E,<br>
>>>> realmente, a natureza foi Deus que fez, mas a cultura é o homem. E o<br>
>>>> que é que tem em Nápoles? Nápoles é aquela elite do Renascimento:<br>
>>>> Maquiavel, Dante Alighieri, Leonardo da Vinci. Todos moraram e<br>
>>>> nasceram ali; conviveram, viram a cultura, e mudaram o mundo. De lá<br>
>>>> veio o Renascimento. Mas V. Exª adverte com tanta firmeza o que nós<br>
>>>> vivemos ¿ essa tragédia ¿ e culturalmente, porque a natureza é Deus, a<br>
>>>> cultura somos nós. V. Exª fala em Prêmio Nobel da Paz. Quer dizer, a<br>
>>>> gente fica perplexo, porque não tem Nobel de nada no Brasil. Bem aí no<br>
>>>> Chile têm dois escritores: Uma mulher, Gabriela Mistral, cujos<br>
>>>> escritos são mais de cunho religioso, e o Pablo Neruda, que foi<br>
>>>> Senador da República. Então, nós temos muito a dever. Mas é aqui,<br>
>>>> aqui, aqui. Essas instituições que têm que vir. O Pedro II dava o<br>
>>>> ensinamento. Ele deixava a coroa e o cetro e ia assistir às sessões do<br>
>>>> Senado. Então, o mundo é outro. Vamos ver se os nossos, os outros<br>
>>>> Poderes, o Executivo de Sua Excelência o nosso Presidente Luiz Inácio,<br>
>>>> tomam conhecimento do seu discurso. E o outro Poder, o Judiciário,<br>
>>>> também. É com a grandeza da democracia que nós estamos a sonhar.<br>
>>>> Martin Luther King tinha um sonho... Que sejam equipotentes, um<br>
>>>> controlando o outro, um iluminando o outro. E, neste momento, você<br>
>>>> ilumina o Poder Executivo e o Poder Judiciário.<br>
>>>> O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT ¿ DF) ¿ Muito obrigado, Senador Mão Santa.<br>
>>>> E não deixei de falar que a mídia precisa descobrir o outro lado dessa<br>
>>>> tragédia, que é o lado do poder da gente de mudar as coisas, que é o<br>
>>>> lado do que está sendo feito de bom no dia a dia.<br>
>>>> Nós vivemos um momento em que, aparentemente, ninguém quer se sentir<br>
>>>> capaz de reorientar os destinos da Nação.<br>
>>>> E eu quero até concluir, Senador Paim, lembrando que me preocupa até<br>
>>>> mesmo o debate que virá no próximo ano para escolher o próximo<br>
>>>> Presidente ou Presidenta da República. A sensação que eu tenho é de<br>
>>>> que vai ser o mais chato de todos os debates da História do Brasil.<br>
>>>> Vai ser o mais monótono de todos os debates da História do Brasil,<br>
>>>> porque vão se comportar não como se fossem líderes para reorientar a<br>
>>>> História do Brasil. Eles vão se concentrar como se fossem os diretores<br>
>>>> da peça da tragédia, como se já tivesse tudo prescrito, apenas eles<br>
>>>> vão fazer mais projetos de infraestrutura, apenas eles viriam ou irão<br>
>>>> fazer um pouco mais ou menos, mas para cumprir o mesmo destino,<br>
>>>> destino que está prescrito numa frase que se diz no Brasil, como se<br>
>>>> fosse um orgulho: o País do futuro.<br>
>>>><br>
>>>> Que País do futuro? A gente quer um País que construa um futuro, um<br>
>>>> País cujo presente está a construção do futuro; e não um País cujo<br>
>>>> futuro virá automaticamente, como nas peças gregas, como nas peças<br>
>>>> teatrais das tragédias a que nós assistimos.<br>
>>>><br>
>>>> O Hamlet, que o Senador citou, não queria aparentemente, mas ele foi<br>
>>>> programado pelo dramaturgo para vingar a morte do pai, e ele fez tudo<br>
>>>> o que foi preciso para cumprir isso.<br>
>>>> Em cada peça de teatro que a gente vê, os personagens fazem tudo que o<br>
>>>> dramaturgo escreveu. Agora, num país, a gente não pode fazer aquilo<br>
>>>> que foi escrito, porque não foi escrito. Está para ser escrito. Por<br>
>>>> isso, não é peça de teatro, é História do Brasil.<br>
>>>> Nós precisamos dar um grito de independência e deixarmos de ser<br>
>>>> personagens de uma tragédia e virarmos personagens de uma história,<br>
>>>> história com ¿h¿, história feita, história construída.<br>
>>>> Mas, para isso, é preciso despertar. É preciso despertar cada um da<br>
>>>> gente do poder que a gente não sabe que tem, do poder que a gente acha<br>
>>>> que não tem, e termina se divertindo. Os Parlamentares nos divertimos<br>
>>>> fazendo essa encenação teatral; o Poder Executivo se diverte mostrando<br>
>>>> uma publicidade de uma encenação de realizações; o Poder Judiciário<br>
>>>> faz uma encenação de que há justiça. E a mídia divulga pura encenação,<br>
>>>> não penetra, não analisa, e a gente fica, cada um de nós, convivendo,<br>
>>>> sofrendo, nessa relação que eu disse sadomasoquista, mas sem querer<br>
>>>> dar o grito de que nós somos os condutores da história do País. Nós<br>
>>>> não somos personagens impotentes. Nós não estamos aqui apenas para<br>
>>>> dizer o que o dramaturgo escreveu. Nós estamos aqui para dizer aquilo<br>
>>>> que o País precisa fazer, é nós sabemos o que é. Nós sabemos que é<br>
>>>> preciso pormos juntos Executivo, Judiciário e a mídia. Bastaria dizer<br>
>>>> que a gente estaria cumprindo o nosso papel, para, mais uma vez, fazer<br>
>>>> aquilo que, em poucos momentos, nós fizemos, como em 1822, quando da<br>
>>>> luta de um país colônia, que queria ser independente, e saiu<br>
>>>> independente. Em 1889, quando um país monárquico e um republicano, e<br>
>>>> saiu o republicano. Como em 1930, um país agrícola exportador, e<br>
>>>> surgiu um país industrial. Outra vez nós precisamos fazer uma inflexão<br>
>>>> na história, dobrar a história, conduzir a história e transformar este<br>
>>>> País, de uma sociedade brutalmente desigual, como foi durante a<br>
>>>> escravidão, brutalmente depredador da natureza, como fomos toda a<br>
>>>> nossa história, preferindo o trabalho manual ao trabalho da<br>
>>>> inteligência, preferindo produzir bens materiais a produzir bens<br>
>>>> vindos da ciência e da tecnologia...<br>
>>>><br>
>>>> Nós precisamos pegar esse país velho da indústria puramente mecânica,<br>
>>>> depredadora e concentradora e daí fazer surgir um novo país, um novo<br>
>>>> país da indústria do conhecimento, respeitando o meio ambiente,<br>
>>>> distribuindo os produtos que nós temos aqui, tudo isso<br>
>>>> democraticamente e com a participação de todos, da mídia denunciando<br>
>>>> tudo de errado que existir e propondo um debate sobre tudo de novo que<br>
>>>> ainda não existe, do povo votando corretamente e indo para a rua<br>
>>>> quando for preciso para exigir os seus direitos e a construção de um<br>
>>>> país melhor.<br>
>>>><br>
>>>> E nós Parlamentares, não dando margem a tantas notícias ruins, pois<br>
>>>> nos transformamos em verdadeira fábrica de notícias negativas sobre o<br>
>>>> Congresso. E, ao mesmo tempo, mais do que isto: nos transformando em<br>
>>>> condutores deste País, não atores de uma peça predeterminada, mas<br>
>>>> autores de uma história ainda a ser construída.<br>
>>>><br>
>>>> Eu vim aqui querendo comemorar os 509 anos em que aqui chegaram os<br>
>>>> portugueses e eu gostaria de poder dizer que, junto com os índios, e,<br>
>>>> depois, junto com os africanos, construíram este País. Mas não foi<br>
>>>> assim. Chegaram aqui os portugueses e, contra os índios e contra os<br>
>>>> africanos e destruindo a natureza, fizeram este País que a gente tem<br>
>>>> hoje, que parece o resultado de uma grande tragédia.<br>
>>>> Está em tempo, porque o País é eterno, sempre haverá tempo, mas o<br>
>>>> triste é que a gente deixe passar pelas mãos da gente a chance de<br>
>>>> ainda em nossa vida nos transformarmos, de atores, em autores,<br>
>>>> transformarmos uma peça teatral em uma história nacional.<br>
>>>> Ainda é tempo de este Congresso assumir esse papel.<br>
>>>> Ainda é tempo de nós, que somos a Casa do povo, exigirmos isso do<br>
>>>> Executivo e do Judiciário. E ainda é tempo de que o nosso<br>
>>>> comportamento termine por inspirar a mídia, para que ela continue<br>
>>>> sendo a denunciadora, mas também a incendiadora, a incendiadora de um<br>
>>>> novo país, a incendiadora das ideias que iluminarão o novo país.<br>
>>>> Hoje, ela não está sendo isso. Hoje, ela está sendo, corretamente ¿ e<br>
>>>> não temos de reclamar de nada do que ela escreve ¿, apenas a<br>
>>>> denunciadora, que é um papel importante da mídia. Ela tem de ser a<br>
>>>> incendiadora no sentido de iluminar, por meio dos debates que ela<br>
>>>> transmite, das ideias que ela não está descobrindo e que existem; ela<br>
>>>> tem que iluminar um Brasil diferente, um Brasil em que os atores se<br>
>>>> transformem em autores, em que as tragédias se transformem na glória,<br>
>>>> um país onde a peça se transforme em história.<br>
>>>> É isso, Sr. Presidente Paim, que eu gostaria de dizer nesta manhã de<br>
>>>> sexta-feira, sem muitas ilusões de que vou deixar de ser um ator para<br>
>>>> ser um autor. Não tenho essas ilusões mais, talvez pela idade, mas<br>
>>>> tenho a grande esperança de, quem sabe, alguém com menos de 15 anos<br>
>>>> que tenha hoje escutado o que eu falei possa despertar e dizer ¿eu não<br>
>>>> quero ser apenas ator da grande peça Brasil; eu quero ser o autor da<br>
>>>> grande história que o Brasil poderá vir a ter, mas não terá<br>
>>>> automaticamente como muitos pensam¿.<br>
>>>><br>
>>>> Autor   Cristovam Buarque (PDT - Partido Democrático Trabalhista /DF)<br>
>>>> Data    24/04/2009      Casa    Senado Federal  Tipo    Discurso<br>
>>>> <a href="http://www.senado.gov.br/sf/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=378863" target="_blank">http://www.senado.gov.br/sf/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=378863</a><br>
>>>><br>
>>>><br>
>>>><br>
>>>> --<br>
>>>> Talvez um rio manso surja esta manhã.<br>
>>>> Talvez triunfe a verdade.<br>
>>>> Talvez não seja demasiado tarde<br>
>>>> para sair a semear<br>
>>>> canções de outros tempos.<br>
>>>><br>
>>>>                            Augusto Blanca<br>
>>>><br>
>>>> --<br>
>>>> Site da Comunidade GIAL<br>
>>>> <a href="http://colab.interlegis.gov.br" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br</a><br>
>>>><br>
>>>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<br>
>>>> <a href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</a><br>
>>>><br>
>>>> Para administrar sua conta visite:<br>
>>>> <a href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial" target="_blank">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</a><br>
>>>><br>
>>><br>
>>><br>
>>><br>
>>> --<br>
>>> Hélio Leite Teixeira<br>
>>> Assembléia Legislativa de Alagoas<br>
>>> Acesse o <a href="http://ChapaBranca.com" target="_blank">http://ChapaBranca.com</a><br>
>>> --<br>
>>> Site da Comunidade GIAL<br>
>>> <a href="http://colab.interlegis.gov.br" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br</a><br>
>>><br>
>>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<br>
>>> <a href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</a><br>
>>><br>
>>> Para administrar sua conta visite:<br>
>>> <a href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial" target="_blank">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</a><br>
>>><br>
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>> --<br>
>> Site da Comunidade GIAL<br>
>> <a href="http://colab.interlegis.gov.br" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br</a><br>
>><br>
>> Para pesquisar o histórico da lista visite:<br>
>> <a href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</a><br>
>><br>
>> Para administrar sua conta visite:<br>
>> <a href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial" target="_blank">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</a><br>
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> --<br>
> Site da Comunidade GIAL<br>
> <a href="http://colab.interlegis.gov.br" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br</a><br>
><br>
> Para pesquisar o histórico da lista visite:<br>
> <a href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</a><br>
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> Para administrar sua conta visite:<br>
> <a href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial" target="_blank">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</a><br>
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<div><div></div><div class="h5">Site da Comunidade GIAL<br>
<a href="http://colab.interlegis.gov.br" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br</a><br>
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Para pesquisar o histórico da lista visite:<br>
<a href="http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial" target="_blank">http://colab.interlegis.gov.br/wiki/PesquisaListaGial</a><br>
<br>
Para administrar sua conta visite:<br>
<a href="http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial" target="_blank">http://listas.interlegis.gov.br/mailman/listinfo/gial</a><br>
</div></div></blockquote></div><br>