[gial] A propósito da polêmica sobre variedades linguísticas nos livros didáticos

Giovana Rodrigues giovana.divcol em gmail.com
Terça Maio 31 16:42:35 BRT 2011


Caras/os Colegas,

A propósito da polêmica sobre as variedades linguísticas nos livros
didáticos, compartilho aqui mensagem que escrevi
a uma amiga, professora de Artes, que se posicionava contrária à inclusão de
variedades que não as ditas "cultas" nos livros didáticos.
O texto também se encontra em meu blog www.escrevendoalei.blogspot.com, no
qual a participação de vocês seria de grande contribuição.
Um abraço,

Giovana

a uma amiga professora de artes: a linguagem da escola deve ser todas as
linguagens do mundo -
por Giovana De Sousa
Rodrigues<https://www.facebook.com/profile.php?id=562591408>,
terça, 31 de maio de 2011 às 00:35


se eu concordar com você quanto à necessidade de a escola eleger apenas uma
variedade linguística (aquela cujo padrão é restrito a usos supercontrolados
da língua portuguesa) para tratar em sala de aula, terei de defender que tal
escola não poderá mencionar o conceito de língua como expressão de uma
cultura, nem poderá levar aos seus alunos as letras de luiz gonzaga e do
rap, os poemas de patativa do assaré, os magníficos contos e romances de
guimarães rosa, o qual certa vez afirmou:



“rezei, de verdade, para que pudesse esquecer-me, por completo, de que algum
dia já tivessem existido septos, limitações, tabiques, preconceitos, a
respeito de normas, modas, tendências, escolas literárias, doutrinas,
conceitos, atualidades e tradições – no tempo e no espaço”.



têm pipocado no brasil momentos de intolerância - sobretudo em relação ao
homossexualismo e à linguagem - que guardam muita semelhança com
manifestações de xenofobismo ocorridas em países da europa. isso me faz crer
que mais do que nunca é hora de praticarmos a diversidade, as diferenças,
com seus conflitos e encontros, de refletirmos sobre tudo isso, em casa, na
escola, em todos os espaços possíveis.

a respeito da língua: se a escrita alfabética nasceu para espelhar a fala e,
com o tempo, escrita e fala passaram a alimentar-se mutuamente, se a língua
é um fenômeno dinâmico e fruto de uma imensurável interatividade, se a
linguagem nos consitui, nos diferencia, nos identifica, negar a diversidade
linguística não seria negar o processo formador da linguagem para favorecer
uma imagem de língua que não corresponde à realidade?

imaginemos se a escola elegesse apenas o vocabulário do classicismo como
digno de constar do conteúdo da disciplina de artes. todos os outros estilos
estariam fora do currículo, toda a infinidade de possibilidades de criação e
todo o conhecimento (de uma época, de lugares, de formas de vida, trabalho e
festas etc) advindos deles seriam ignorados em sala de aula.

querida amiga, com certeza, a escola que queremos e praticamos não é aquela
à qual cabe julgar formas de expressão e sim aquela que cria oportunidades
para que o aluno possa conhecer as mais variadas formas de expressão,
refletir sobre elas e optar pelas que mais lhe convierem nos diferentes
momentos de sua vida.



assim, a linguagem da escola deve ser todas as linguagens do mundo."


-- 
Giovana de Sousa Rodrigues - Redatora
DIVCOL/DIRLEG - Câmara Municipal de Belo Horizonte - CMBH
(31) 3555-1309
giovana.divcol em gmail.com
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