[gial] Burocracia do Senado avança sobre (e ocupa!) estrutura física do Interlegis

Hélio Teixeira heliolteixeira em gmail.com
Sexta Janeiro 7 21:09:43 BRST 2011


Ontem e hoje, recebi vários telefonemas de diversas pessoas que
trabalham no Interlegis (algumas delas que eu sequer imaginava que
ainda trabalhavam por lá...) dando conta de que o pessoal da
burocracia do Senado Federal havia ocupado três salas no pavimento
térreo do edificio sede do Interlegis. Ao que se sabe, até o momento,
é que nessas salas passarão a funcionar alguns órgãos da estrutura
burocrática do Senado.

O fato que mais me chamou a atenção, foi que entre as salas
“desapropriadas”  pelo Senado, esta a Sala de Treinamentos. Sim,
aquela sala onde foram dados os minicursos do III Encontro Gitec e que
existe há mais de 10 anos, e onde muitos de nós aprendemos as
primeiras lições de Zope e Plone. E mais, me arrisco a afirmar, sem
medo de errar, o local onde a nossa Comunidade foi gestada e, de fato,
passou a se perceber como uma Comunidade.

Quem está por aqui há mais tempo, como eu e tantos outros, sabemos o
quanto os cursos presenciais que tivemos nos tempos do Paulo
Fernandes, exatamente naquela sala, foram importantes para a
consolidação do Gitec, a nossa comunidade mais “madura.”

Contrariando uma promessa que eu havia feito a mim mesmo, de não me
meter mais em assuntos que digam respeito a esfera administrativa do
Interlegis (sobretudo pelo imenso desgaste emocional que tive do ponto
de vista pessoal nas últimas vezes em que tentei opinar sobre essas
questões...), eu gostaria de aproveitar esse acontecimento - carregado
de importantes simbologias - para fazer algumas reflexões.

O amor que tenho pela causa do Interlegis e a gratidão e o
comprometimento sem medida que tenho com nossa Comunidade, são mais
fortes do que eu, e me impedem de calar e não tentar contribuir de
alguma forma.

Para começar, gostaria de dizer que essa ocupação do espaço físico que
ocorreu hoje já era esperada. Quem tem acompanhado de perto como eu as
transformações (administrativas e funcionais) que o Interlegis vem
sofrendo desde a sua transformação em um órgão da estrutura
administrativa do Senado, pode perceber claramente o desenrolar de um
visível processo de “SENADORIZAÇÃO” da estrutura
administrativa-funcional do Interlegis, o que inevitavelmente
repercute na própria ideologia administrativa que legitima e sustenta
as ações do Programa.

Ao longo dos últimos anos, como não poderia deixar de ser diferente, o
que vemos dentro do Interlegis é a reprodução do modelo de gestão do
Senado Federal. Para o bem ou para o mal, acredito que a partir da sua
transformação em Secretaria Especial do Senado, esse processo seria
inevitável. Assim, o que vemos agora é apenas a materialização, ou
melhor, a conseqüência daquilo que foi feito alguns anos atrás. Mais
precisamente na gestão anterior, O QUE EXIME DE CULPA OS ATUAIS
DIRETORES, que, como se fala na gíria popular, PEGARAM O BARCO
ANDANDO...

Mas agora gostaria de fazer uma pergunta a todos aqueles que, como eu,
acreditam na ideia que sustenta o Interlegis, e que também torcem pelo
seu sucesso.
ESSE PROCESSO DE “SENADORIZAÇÃO” DO INTERLEGIS VAI CONTRIBUIR PARA QUE
O PROGRAMA CONSIGA ALCANÇAR  O SEU OBJETIVO MAIOR, QUE É A
MODERNIZAÇÃO DO LEGISLATIVO BRASILEIRO?

Como todos aqui já sabem, não costumo ficar em cima do muro, e me
arrisco a afirmar, sem medo de errar, que a resposta é NÃO.
Absolutamente, NÃO!

E a explicação é muito simples.  Como podemos falar em MODERNIZAÇÃO se
estamos reproduzindo um modelo de gestão ultrapassado e que levou o
Senado Federal (e o Legislativo como um todo) a ser uma das
instituições mais impopulares do nosso país, uma instituição que ocupa
uma das ultimas colocações no ranking de confiança da sociedade
brasileira?

Como falar em modernização reproduzindo um modelo de gestão que não
inspira confiança em nenhum cidadão brasileiro?

Alguém realmente acredita que o Senado Federal pode ser modelo de
modernização para qualquer coisa nesse país?

Será que não precisaríamos construir algo REALMENTE NOVO que
combatesse os velhos vícios culturais, políticos e organizacionais que
imperam no Legislativo brasileiro há décadas?

Será que não deveríamos ser a força inspiradora (de novas idéias e
práticas inovadoras!) para retirar o Legislativo brasileiro desse
abismo que ele se encontra?

Fica a reflexão...

Um grande abraço a todos!

-- 
Hélio Teixeira
http://novodialogo.com.br/
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http://twitter.com/helioteixeira



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