[gial] Anos 80 no Brasil: crise financeira, política e ideológica.

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Segunda Maio 17 15:02:07 BRT 2010


Prezados colegas da lista,


Enviamos a seguir um pequeno artigo para reflexão.


Atenciosamente,

Francine Presoto
Gabriela Leão

Bacharelandas em Gestão de Políticas Públicas- 7º semestre



Anos 80 no Brasil: crise financeira, política e ideológica.

A economia brasileira estava decadente, inflação subindo, empregos  
diminuindo. O milagre havia se tornado um pesadelo. Havia um contexto  
de crise financeira e governo que se desacreditava  não se sustentava  
mais. Abriu-se, então, a janela de oportunidades para a  
redemocratização: militares voltariam aos quartéis, pessoas seriam  
livres de fato, com direitos sociais, políticos, e por fim, humanos. O  
sonho da democracia estava perto de se concretizar com uma nova  
Constituição.

Em 1982 aconteceram eleições diretas para Governador, aflorando ainda  
mais a esperança dos brasileiros que saíam às ruas e gritavam para  
poder eleger o seu Presidente. A vontade de votar e eleger seu  
presidente era o símbolo da democracia.

Mas o sonho não estava tão próximo de ser realizado. Para que  
acontecessem eleições diretas era necessária mudança Constitucional,  
já que a Carta Magna previa eleições indiretas para presidente. Em  
1984,  a Emenda Constitucional Dante de Oliveira (PEC nº 5/1983) que  
pretendia reinstaurar as eleições diretas para Presidente, mesmo com  
todo o apoio popular, foi REJEITADA na Câmara dos Deputados. O  
Parlamento, que era a única fonte de confiança do povo, o traiu,  
traindo também o ideal democratizante que se instaurava com a  
Constituinte.  A votação nem chegou ao menos ao Senado, visto que não  
teve a seu favor dois terços dos votos da Casa. Dos 320 deputados, 298  
  votaram a favor, 65 contra, três abstiveram-se e 113 não  
compareceram ao plenário.

Ao menos, nas eleições indiretas, foi eleito o primeiro Presidente  
após 1964 que não era militar: Tancredo Neves, que nem viveu para  
assumir, passando seu cargo e missão para Sarney, juntamente com seus  
anseios por uma nova República, sendo o último presidente brasileiro a  
chegar ao poder sem ser pelo voto do povo.

A vontade brasileira que lutou pela democracia foi adiada, restando a  
ela a espera pela nova Constituição e para então, ter todos os seus  
direitos políticos resgatados em 1989. Não sabemos quem mais traiu a  
democracia: os 65 parlamentares que votaram contra, expondo  
explicitamente a sua vontade, ou então, os 116 que ou se abstiveram,  
ou não compareceram ao Plenário, não tendo a coragem de mostrar ao  
povo suas verdadeiras faces, e que até hoje, brigam pelos nossos votos.





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