[gial] Fwd: Detalhando a ação

Hélio Teixeira heliolteixeira em gmail.com
Quarta Fevereiro 24 16:11:54 BRT 2010


Oi Mauricio,

Vamos continuar o debate focando mais de perto a tua realidade ao na
Câmara de Pedreira.

Levando em consideração o seu relato, fica muito claro o alto grau de
correção das suas ações. Como não conheço bem a sua realidade, não
seria correto (nem ético) da minha parte falar de algo que desconheço.
Como diz o ditado popular, "cada um sabe onde o seu calo aperta".
Assim, você seguiu os passos e a direção que achou mais conveniente,
de acordo com a realidade (além dos recursos materiais e humanos
disponíveis) que só você conhece.

Portanto, o meu comentário terá um tom mais conceitual. Vou usar o seu
relato (apenas) para ilustrar o argumento e discutir algumas questões
de fundo dentro do contexto atual da Comunicação Organizacional.

Dentro das várias "teorias da administração" vigentes (e que
funcionavam muito bem até bem pouco tempo atrás), a tarefa de
"comunicar" dentro das organizações era vista dentro uma visão que
tinha pelo menos três pressupostos básicos: (1) A COMUNICAÇÃO É
PRERROGATIVA EXCLUSIVA DO SETOR OU DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO, (2) O
ATO DE COMUNICAR CONSISTIA ESSENCIALMENTE NUMA TAREFA TRANSACIONAL,
(3) A INICIATIVA E O CONTROLE DA MENSAGEM ESTAVA SEMPRE NAS MÃOS DAS
ORGANIZAÇÕES.

Confesso que esse cenário era o melhor dos mundos para nós
comunicadores. Tudo ficava mais simples. Bastava publicar nossos
"pacotes" de informações na mídia correta (aquela onde podíamos
alcançar nosso target!, ou pelo menos a maior parte dele), usando a
linguagem certa, dentro do timing ideal, para então persuadi-los com
as nossas técnicas (até então quase infalíveis!) de convencimento e
persuasão, que diga-se de passagem, as "melhores" faculdades de
comunicação do mundo AINDA INSISTEM em nos ensinar...

Para a alegria de alguns e desespero de muitos, essas teorias estão
sendo (na verdade já foram!) peremptoriamente devastadas pelo avanço
das novas tecnologias de comunicação e relacionamento. Praticamente
todas as antigas práticas de planejamento de comunicação, incluindo
planejamento de mídia e a criação e entrega de produtos e serviços,
PRECISAM SER IMEDIATAMENTE REVISTAS sob a luz da nova configuração
político-social-econômica que essa nova realidade nos impõe.

O próprio conceito (e o escopo) daquilo que chamamos de "Planejamento
de Comunicação" mudou nesse novo mundo. A razão para isso é simples:
não é mais possível planejar como antes a comunicação da organização,
pois a comunicação organizacional está se tornando cada vez menos
transacional e mais relacional e social. Não dá mais para produzir
pílulas de informação e servi-las para o consumo das pessoas e achar
que estamos nos comunicando com elas. É preciso construir
relacionamentos abertos e democráticos com os nossos públicos. E todos
nós sabemos que não é possível "planejar um relacionamento". Daí é
preciso redefinir as bases teórico-conceituais e também as práticas
daquilo que costumávamos chamar de "Planejamento de Comunicação".

Vou explicar rapidamente o porquê desta mudança em cada um dos paradigmas:

1 - A COMUNICAÇÃO É PRERROGATIVA EXCLUSIVA DO SETOR OU DEPARTAMENTO DE
COMUNICAÇÃO
Em primeiro lugar é importante ressaltar e entender que todos na
Organização desempenham um papel importante dentro do processo de
Comunicação Organizacional. Todos os colaboradores da organização, de
uma forma ou de outra, comunicam-se com os nossos clientes. Como já
falei, Comunicação hoje, é sinônimo de relacionamento e um
relacionamento entre os nossos clientes e a organização onde
trabalhamos é construído e edificado levando-se em consideração TODOS
os contatos entre eles (clientes) e a nossa organização. É muita
ingenuidade acreditar que a imagem que os nossos clientes tem da nossa
organização e dos produtos e serviços ofertados por ela, é construída
apenas pelo "consumo" do material produzido por nossas assessorias de
comunicação. Todos os contatos entre os nossos clientes e a nossa
organização somam-se para formar a imagem da organização em suas
cabeças.

Portanto é muito importante que pelo menos duas mudanças sejam
operadas na prática: (1)a política de comunicação se transforme numa
política de relacionamento baseada nos valores VERDADEIRAMENTE
compartilhados pelo grupo de colaboradores e (2) que esta política
seja internalizada em todos os procedimentos e rotinas administrativas
da organização. E o mais importante, todos precisam entender (todos
mesmo!!!) e respeitar essa política.

2 - O ATO DE COMUNICAR CONSISTIA ESSENCIALMENTE NUMA TAREFA
TRANSACIONAL - Já falei sobre isso mais acima. Comunicação deve ser
entendida como relacionamento. Não como uma transação do tipo "start
and stop".

3 -  A INICIATIVA E O CONTROLE DA MENSAGEM ESTAVA SEMPRE NAS MÃOS DAS
ORGANIZAÇÕES - Essa mudança de paradigma também poder ser explicada
pelo mudança (de transacional para relacional) na natureza da
comunicação organizacional. Você já tentou controlar com mão de ferro
um relacionamento, quer seja um relacionamento amoroso, familiar ou
profissional? Se você já tentou fazer isso já sabe que não vai
funcionar. Relacionamentos sadios e edificantes não podem ser
construídos a base de tirania.

Um conselho que dou a todos: Tratem seus clientes como amigos.
Respeite-os. Seja franco e aberto para discutir tudo, inclusive aquilo
que não seja do seu interesse. Só assim vocês poderão ser levados a
sério por eles.

Mais adiante vou falar das implicações dessa mudança paradigmática nos
relacionamentos das organizações com os seus públicos nas chamadas
redes sociais.

Grande abraço

Hélio Teixeira

Em 19 de fevereiro de 2010 14:42, Imprensa - Câmara Pedreira
<imprensa em camarapedreira.sp.gov.br> escreveu:
> Obrigado mais uma vez caros (as) amigos (as) por responderem prontamente
> minhas considerações. Sugiro agora uma troca de experiências para enriquecer
> um pouco mais nossa discussão. Para isso vou tentar detalhar um pouco melhor
> a situação do Legislativo pedreirense, para vocês conhecerem o que tenho
> feito e o que me levou a abordar o tema Redes Sociais nesta lista.
> Quando assumi o departamente de comunicação desta Casa de Leis, minha
> primeira ação foi criar um Planejamento Estratégico suscinto para ter um
> direcionamento de ações.
> Para isso, primeiramente estabeleci uma "Visão" e uma "Missão" (como bem
> colocou o Prof. Marcelo) para o departamento e fui delineando alguns
> objetivos que gostaria de atingir a curto e médio prazo.
> Coloquei como "Visão" do departamento de Comunicação, a promoção e a
> formação política e social do cidadão, visando um aumento da participação da
> comunidade nas sessões legislativas e na aproximação da Câmara com a
> comunidade. Como "Missão" estabeleci que a Assessoria de Comunicação deveria
> fornecer, com eficiência e eficácia, informações consistentes sobre a
> atuação do poder Legislativo para os mais diversos públicos-alvos que
> quisesse atingir, mantendo uma imagem positiva da instituição. Asssim,
> estabeleci duas categorias de públicos-alvos: Interno (Funcionários e
> Vereadores) e Externo (População, Imprensa, Poder Executivo - local,
> Estadual e Federal, Poder Legislativo - Estadual e Federal, Instituições
> Públicas, Ministério Público, Tribunais de Contas e Tribunais da Justiça).
> A partir daí, fui estabelecendo algumas estratégias de ação: realizei uma
> reunião com todos os colaboradores da Câmara para apresentar o trabalho da
> Assessoria de Comunicação e depois realizei uma apresentação do departamento
> para a imprensa.




> Após as apresentações, a princípio me dediquei à formação de uma imagem
> positiva da Câmara para o público externo através de releases e coberturas
> de eventos jornalísticos onde a Câmara participava. Durnate dois anos me
> dediquei a isso e medi o impacto de minhas ações através da clippagem.
> Consegui um resultado positivo. Então, a partir do segundo semestre do ano
> passado, me voltei para o público interno ao qual tenho me dedicado até
> agora, com resultados de difícil monitoramento pela falta de tecnologia
> adequada. Ao mesmo tempo, no final de 2009 comecei a dar atenção às novas
> ferramentas de mídia eletrônica, quando procurei o Portal Modelo para
> implantação de nosso site e comecei a me aventurar pelas redes sociais
> (Twitter, Facebook e Orkut), o que me levou a colocar em discussão o tema
> nessa lista.
> Acredito que essas informações possam ser úteis para as próximas
> considerações da lista. Assim, para não me tornar cansativo,  paro por aqui.
>
> Atenciosamente
> Maurício Batarce
> Assessor de Comunicação
> (19) 3893-3172 (com.)
> (19) 8179-0699
> imprensa em camarapedreira.sp.gov.br
>
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> Site da Comunidade GICOM
> http://colab.interlegis.gov.br
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> Para pesquisar o histórico da lista visite:
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