[gial] Legitimidade da lei

Kelly Soares kellyconsultoria em hotmail.com
Sexta Fevereiro 19 08:56:57 BRST 2010


Pois é Luis!
Eu também não perco a esperança de ver um país melhor. Às vezes sou tomada por uma cólera impulsiva ao ver situações ocasionadas pelo próprio povo. Situações políticas, inclusive, que não existiriam apenas pelos maus políticos. Mas, existem pelos maus eleitores. Eleitores que se corrompem e votam por uma cesta básica, pela ameaça de perder o bolsa família, ou até pela esperança de aumento dela. Pelo litro de leite aguado que chega em casa uma vez por semana. E é por atendimento a demandas dessa natureza que minha cidade tem hoje um presidente de câmara, regimentalmente analfabeto, que conseguiu desfazer todo um trabalho maravilhoso, construído com esforço e envolvimento de todos os servidores (ou pelo menos quase todos), e puxar para o retrocesso político uma Casa Legislativa que era tida como exemplo por suas ações inovadoras. Se a abstinência dói, imagine você o quanto dói assistir quase que de camarote, todo um trabalho bacana sendo destruído por essas mazelas. E o povo??? O povo aplaude o sensacionalismo promovido por uma imprensa comprada e sem crédito. Clama pelo sucesso eleitoral desse mesmo parlamentar que irá desputar nas urnas estaduais uma cadeira na Assembléia Legislativa. E, pior!! O povo quer o "seu protetor" como prefeito da cidade. Aí meu amigo é que vem a grande frustração! Apesar da maravilha do processo democrático, o povo estava preparado para exercê-la? Nossas instituições se beneficiam disso, ou se servem disso para manter uma relação de subserviência social, explorando a miséria desse próprio povo, que, conscientemente ou não, desacredita num país melhor, porque considera por melhor o auxílio social ofertado pelo governo? Por que razão nosso governo investe mais em ações sociais do que em saúde e educação? A proposta não era ensinar a pescar? Um povo saudável e bem preparado não se sobrepõe a um povo doente, ignorante e de barriga cheia? E por aí meus questionamentos seguem um rumo que balança minhas estruturas mesmo, porque não consigo me resignar. Há alguns anos atrás, quando militava nos movimentos estudantis e religiosos, existiam eventos e situações em que essas questões eram postas para as outras pessoas, num chamamento cívico para o processo de mudança social neste país. Hoje as escolas só querem preparar nossos filhos para o vestibular. Os jovens sequer sabem alguns versos do Hino Nacional. Vão às urnas, na maioria das vezes porque são obrigados ao exercício do que haveria de ser motivo de maior orgulho cidadão. Quanto aos maus políticos, conversando com jovens, percebo que eles sequer sabem do que se tratam. Tenho uma filha adolescente a quem consigo contagiar com pensamentos assim, mas, ela é vista pelos amigos como uma maluca quando começa a falar de coisas desse tipo..... rsrs... Eu fiz passeatas e participei de movimentos quando Color se candidatou!! Depois de sua gloriosa saída, com o movimento dos "caras pintadas", praticamente o clamor público se calou. E a nova geração não se importa com nada disso. Sequer tem opinião formada, com raras exceções. Movimentos como alguns realizados em MInas pela Escola do Legislativo da ALEMG são pioneiros nesse resgate de cidadania de nossos jovens e acredito que o caminho seja esse. Precisamos de jovens conscientes e participativos do processo, ou corremos o risco de um retrocesso democrático. Acredito sim na DEMOCRACIA. Amo meu país e acredito que o Poder Legislativo é a própria legitimação de poder e governo, porque é nele que tudo nasce, ou deveria nascer, por uma questão principiológica e de pura legitimidade, pois representa o desejo de todo um povo. Mas, esse povo precisa pensar com a cabeça, não com a barriga. E, hoje vejo com preocupação sim essa situação, porque entre um cartão do bolsa família e os direitos constitucionais, o povo vai à luta pelo primeiro. 
Mas, tudo bem... já estou acostumada! Às vezes eu mesma acho que meus pensamentos são subversivos e que vivo outro tempo!....rsrs

Nada contra os posicionamentos do Prof. Marcelo e aproveito a deixa pra me redimir publicamente nessa lista em situação a essa situação. 
Nos últimos meses de 2008, momento tenso em todo o país em razão do resultado nas urnas, eu ainda Procuradora Geral da Câmara Municipal de minha cidade, participava aqui nessa lista de uma discussão calorosa em razão da tramitação da PEC dos vereadores. Foi quando o Prof. Marcelo se posicionou a favor da redução do número de parlamentares e dos gastos, justificando como desnecessário o aumento da representatividade, porque pouco fazem os vereadores em prol de seus representantes. Como apaixonada confessa que sou pelo Legislativo, e municipalista, revidei as ponderações dele, e depois percebi que, com certo exagero. Mas, Prof. o exagero não era no campo pessoal, apenas das idéias. Me deixei levar ao extremo pela emoção e situação experimentada em momentos de tensão, num município que teve seu prefeito cassado pelo Poder Legislativo, que num momento raro se posicionava com liberdade e dignidade. Mas, você não conhecia e não conhece minha história, assim como eu não conheço a sua. Não tinha o direito de ter sido extremista como fui e humildemente, apesar de pouco tarde, peço desculpas se o ofendi de alguma forma. 

Gostaria que essas arestas fossem aparadas para que seja possível, sua incrível teoria e a pouca experiência que tenho das realidades municipais seguirem uma linha de discussão que de fato contribuam para o debate e enriquecimento dessa lista. Porque se há necessidade de legitimar a lei, isso é senão um processo. E um processo que passa pela discussão de idéias que nem sempre surgem nos próprios parlamentos, mas, chegam até lá ecoadas pelo vento soprado por aspirações sociológicas e democráticas que acredito termos em comum. 

Grande abraço a todos, um excelente dia e um final de semana maravilhoso!!


Kelly Cristina O. Soares 




Date: Thu, 18 Feb 2010 22:11:02 -0200
From: neranto em gmail.com
To: gial em listas.interlegis.gov.br
Subject: Re: [gial] Legitimidade da lei

Kelly, o contributo que fazes no GIAL regenera todo o campo das ideias, acredito que o nosso prof. Marcelo procura contemporizar e aquilatar o posicionamento de cientista em prol da nossa democracia.
Confesso que estive do outro lado.  Em 1975 era Oficial do Exército e vivi tudo e com dignidade, sentia o amor pela Pátria e acreditava no descortinar de uma nova era, apesar da desconfiança dos políticos.  Saí do meio militar e ingressei mediante concurso público no Senado, em 1992.  Já pensou, vivia agora no meio político.  O processo legislativo foi o diferencial em minha vida profissional.  Chego a dizer que fico embevecido por respirar Regimentos, por isso, sei o que passas com a abstinência, ao passo que ficamos felizes com as suas brilhantes intervenções.

Neste ano de eleições, a escolha democrática promete mudanças nas escolhas, o negócio todo é o ritmo de trabalho que será proposto pelos novos congressistas e governantes.
Abraços,
Luis Fernando

 		 	   		  
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