[gial] Como ajudar a resolver o problema da falta de uma estrutura burocrática profissional no Legislativo

Hélio Leite Teixeira heliolteixeira em gmail.com
Domingo Maio 17 12:59:51 BRT 2009


Amigo Petrônio,

Concordo em gênero e número com as suas afirmações. Falta sim
estrutura material e humana para o funcionamento adequado da imensa
maioria das nossas organizações legislativas. E uma parte importante
do que poderemos chamar de solução é a realização de concursos
públicos para injetarmos "sangue novo" neste processo.

Mas o concurso público por si só não será a solução de todos os males
que afligem as nossas casas legislativas. É preciso modificar a
estrutura de funcionamento destas casas. Ou melhor, é preciso mudar a
estrutura de funcionamento do serviço público brasileiro.

Nossas casas legislativas foram erigidas dentro do paradigma
administrativo-funcional da chamada Era Industrial, um modelo baseado
numa estrutura hierárquica rígida baseada no que chamamos de
estruturas de "comando e controle".

Em organizações dominadas por estruturas excessivamente hierárquicas
as decisões são tomadas no topo do organograma e transmitidas (ou
informadas "oficialmente") através de intermediários. O que torna a
organização e a qualidade do trabalho desenvolvido por ela
excessivamente dependentes das pessoas que estão no comando. Se o
líder é bom, inteligente, sensível e "democrático" o resultado do
trabalho, mesmo limitado (pois a decisão continuará sendo tomada por
um grupo de "iluminados"), não será de todo ruim. Se o líder é aquele
cara que só foi nomeado por ser um apadrinhado do político fulano de
tal, e que muitas vezes não entende patavinas de nada... Bem, os
resultados vocês todos já conhecem...

O modelo baseado na hierarquia rígida dá proteção ao maior inimigo da
inovação e da criatividade: a Burocracia que é sustentada (e tratada a
pão-de-ló) pelos caras do "ora, mas sempre foi assim..." que são
primo-irmãos do "nunca foi assim...". "Se eu permanecer quieto no meu
pequeno cubículo e continuar fazendo o que sempre foi feito, meu
emprego e o meu sossego estarão garantidos", é o primeiro mandamento
da cartilha desses caras.

No modelo baseado em "comando e controle" as pessoas não podem se
expressar livremente pois podem contrariar o chefe, o senhor feudal
dessas estruturas. Você é pago pra fazer o seu trabalho e ponto final.

Outra característica dessas estruturas é a falta de autonomia que as
pessoas tem para inovar ou tentar melhorar, aqui o erro é punido
severamente, logo ele, o irmão gêmeo da inovação. Se ninguém pode
errar, então temos que deixar de ser humanos para sermos servidores
públicos?

É preciso acabar com tudo isso. Precisamos derrubar as barreiras
impostas pela hierarquia rígida e pelo controle excessivo. É preciso
mais IRREVERÊNCIA no serviço público brasileiro.

Como diz o amigo Zeca Martins, ser irreverente não é ser mal educado
nem arrogante; não é atropelar velhinhas na rua por pura diversão. A
irreverência necessária à criatividade é a capacidade e a coragem de
questionar tudo o que se apresenta como definitivo, de olhar
criticamente aquilo que já vem pronto e com o que todo mundo
imediatamente concorda (algo bastante comum em nossas casas
legislativas).

As estruturas hierárquicas são também deficientes mentais. São
estruturas que, por força de lei (como gostam de afirmar os
burocratas) só podem utilizar o lado esquerdo do cérebro. O serviço
público tem que ser racional, imparcial, impessoal... ou qualquer
outra coisa desprovida de emoção ou opinião pessoal. Quanta
bobagem!!!!!!

Uma coisa que aprendi durante a minha vida de administrador e
profissional de comunicação. Administrar é por natureza uma atividade
que exige um esforço "bi-polar". Não dá pra administrar usando apenas
a lógica ou a racionalidade como defendem alguns. Se a lógica pudesse,
sozinha, resolver ou explicar tudo, ninguém mais nesse mundo colocaria
um cigarro na boca, ou ninguém teria medo de voar de avião. Lógica é
essencial, mas sem emoção, não alcançaremos os melhores resultados. Em
suma, nossas casas legislativas devem pensar menos como instituições e
agirem mais como pessoas.

Repito, é preciso desafiar o "sempre foi assim"!!!!!!!!!

Grande abraço,

Grande abraço
Hélio Teixeira
ALE/AL



2009/5/17 Petronio Barbosa Lima de Carvalho <petronio em interlegis.gov.br>:
> Olá Pessoal,
> Meu nome é Petrônio Carvalho. Sou servidor efetivo do Senado Federal, onde
> trabalho desde 1972. Participei da primeira equipe que iniciou o Interlegis,
> liderada pelo companheiro Armando Nascimento, que foi o idealizador e
> realizador do Interlegis, pessoa que até hoje nos apóia nos momentos
> difíceis, com grande experiência e competência.
> Saí em 2001 do Interlegis para trabalhar em outros projetos no PRODASEN e
> retornei em 2006 onde pretendo ficar até minha aposentadoria. Atualmente
> faço parte da equipe de TI, com muito orgulho, onde tenho o prazer de
> trabalhar com o Jean, Morale, Rodrigo, Américo, Patrícia, Vilson, Julio,
> Choi, Marcelo, Sidarta, Cacau, Sergio além de uma pequena equipe
> terceirizada.
> No contato diário com as Casas Legislativas, quando possivel, tenho
> orientado os Parlamentares com quem converso, sobre a grande importância de
> investir em Concurso Público, para formar a inteligência da Casa.
> Inicialmente, sugiro a contratação de pelo menos três profissionais para as
> áreas de TI, Processo Legislativo e Comunicação, para que o primeiro foque
> na disponibilização do ambiente computacional e na gestão dos produtos
> Interlegis (SAPL e Portal Modelo), para  que os outros dois possam se
> responsabilizar pela operacionalização destes produtos, fazendo com que a
> Casa Legislativa possa automatizar o seu Processo Legislativo com o uso do
> SAPL e publicar o trabalho da Casa Legislativa e de seus Parlamentares na
> Internet utilizando-se do Portal Modelo, e assim estabeleça um canal efetivo
> de comunic,ação com a população com total transparência.
> Acontece que o que vejo, quase sempre é que as pequenas Casas Legislativas,
> com muita boa vontade poderiam estar contratando apenas um profissional.
> Então quando noto que a Casa é muito humilde, oriento para a Contratação de
> apenas um Profissional para assumir as três funções acima citadas, frisando
> que sem pessoas que possam assumir estes papéis, dificilmente o Interlegis
> conseguirá ajudar, e saliento também que se o Parlamentar quizer deixar sua
> marca na história da Casa, efetive a contratação do(s) profissional (is)
> aqui referido(s).
> Como esta história se repete quase sempre, pergunto ao grupo:
> - Não seria possível, pensarmos em alguma forma de facilitar o processo de
> contratação de servidores públicos para as Casas Legislativas, do tipo fazer
> um Concurso nos moldes que o executivo faz (preenchimento de vagas em todo o
> território nacional), onde antes haveria uma grande divulgação para que as
> Casas informem sua necessidade de Recursos Humananos, para levantamento do
> número de vagas para determinadas carreiras, considerando um piso salarial
> por carreira. Aí, no período de validade do Concurso Público, muitas Casas
> Legislativas, poderiam se beneficar da Seleção para contratar.
> - Sei que este não é um problema trivial, e conto com a competência deste
> grupo, para que possamos discutir e sair com respostas efetivas para este
> problema, que ao meu ver é um dos principais problemas do Legislativo.
> Abraços a todos.
> Petrônio
>
> --
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> http://colab.interlegis.gov.br
>
> Para pesquisar o histórico da lista visite:
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Hélio Leite Teixeira
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