[gial] Trajédia que a gente não quer que aconteça

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Quinta Abril 30 21:15:08 BRT 2009


Pode ser Damiem,

Mas como sabemos: "o de cima sobe e o debaixo desce" (CSNZ-1995)

Bruno Abud
GPP

Citando damiem em usp.br:

>
> Grande Seo Ciço, grande representante do povo(?).
>
> Pena que ele pensava isso lá pros tempos de 1985. Faz tempo...
>
> Hoje não dúvido se ele já não virou um líder do MST. Mas com certeza
> deve ser beneficiário do Bolsa-Família.
>
> Grande Seo Ciço... Talvez encontremos mais uma centena de
> representantes do povo(?) como ele.
>
> De baixo pra cima? Esqueça! Neste país ou será de cima pra baixo ou
> nunca será!
>
> Abraços
>
> Damiem Barbosa
> GPP-USP
>
>
> 2009/4/30 <inaciojunior em usp.br>
>
> Companheiro,
>
> O que o povo quer eu não sei, mas talvez o seu Ciço dê uma pista...
>
> Inté
>
> Inácio
>
> Depoimento de Antonio Cícero de Souza
>
> ?Então veja, o senhor fala ?Educação? daí eu falo ?educação?. A
> palavra é a mesma, não é ? A pronúncia, eu quero dizer. É uma só. Mas
> então eu pergunto pro senhor: é a mesma coisa ? É do mesmo que a gente
> fala quando diz essa palavra ? Aí eu digo: ?Não?. Eu digo pro senhor
> desse jeito: ?Não. Não é.?  Eu penso que não.
> Educação... quando o senhor chega e diz educação vem do seu mundo, o
> mesmo, um outro. Quando o senhor fala a palavra conforme eu sei
> pronunciar também, ela vem misturada no pensamento com isso tudo,
> recursos que no seu mundo tem.  Quando eu falo, o pensamento vem dum
> outro mundo. Um que pode ser até vizinho do seu, vizinho assim, de
> confrontante, mas não é o mesmo.  A escolinha cai-não-cai alí num
> canto da roça, a professorinha dalí mesmo, os recursos, tudo como é o
> resto da regra do pobre. Estudo ? Um ano, dois, nem três. Comigo não
> foi nem três.
> Porque é assim desse jeito que eu queria explicar pro senhor. Tem uma
> educação que vira o destino do homem, não vira? Ele entra alí com um
> destino e sai com outro. Quem fez ? Estudo, foi estudo regular, um
> saber completo. Ele entra dum tamanho e sai de outro. Parece que essa
> educação que foi a sua tem uma força que tá nela e não tá. Como é que
> um menino como eu fui mudá num doutor, num professor, num sujeito de
> muita valia?
> O senhor faz a pergunta com um jeito de quem sabe já a resposta. Mas
> eu explico assim. A educação que chega pro senhor é a sua, da sua
> gente, é pros usos do seu mundo. Agora, a minha educação é a sua.  Ela
> tem o saber da sua gente e ela serve pra que mundo? Não é assim mesmo?
> (...) Menino aqui aprende na ilusão dos pais; aquela ilusão de mudar
> com o estudo, um dia. Mas acaba saindo como eu, como tantos, com umas
> continhas, uma leitura. Isso ninguém vai dizer que não é bom, vai?
> Mas pra nós é uma coisa que ajuda e não desenvolve.
> ?Educação?.  É por isso que eu lhe digo que a sua é a sua e a minha é
> a sua. Só que a sua lhe fez. E a minha?
>
> A gente manda os meninos pra escola. Quem é que não manda?  Só mesmo
> um sujeito muito atrasado...  Podiam tá na roça com o pai, mas tão na
> escola. Mas quem é pobre e vive nessa descrença de trabalhar dum
> tanto, a gente crê e descrê.
> Menino desses pode crescer sem um estudosinho que seja, da escola ?
> Não, não pode. O meu saberzinho que já é muito pouco, veio de aprender
> com os antigos, mais que da escola, veio a poder de assunto, mais do
> que de estudo regular. Finado meu pai já dizia assim. ?Mas pra esses
> meninos quem sabe o que espera?? Vai ter vida na roça pra eles todo o
> tempo? Tá parecendo que não...  E, me diga, quem é quem na cidade sem
> um saberzinho de estudo? Se bem que a gente fica pensando:  o que é
> que a escola ensina, meu Deus?  Sabe, tem vez que eu penso que pros
> pobres a escola ensina o mundo como ele não é.?
>
>
>
>
> Antonio Cícero de Souza
> Lavrador de sitio entre Andradas e Caldas, no sul de Minas Gerais
>
>
> Este depoimento foi editado. O texto completo pode ser lido na
> coletânea A questão politica da educação popular , organizada por
> Carlos Rodrigues Brandão e publicada pela Brasiliense, São Paulo,1985.
>
>
> Citando damiem em usp.br:
>
>
>
> Não sei não...
>
> O povo(?) precisa entender discursos como este para que a educação
> venha a tomar um rumo que se espera? Ou será que não é ao contrário? A
> educação deve tomar o rumo que se espera para que o povo(?) passe a
> entender discursos como este.
>
> O "sempre" aplaudido Cristovão Buarque foi candidato a Presidência da
> República. Recebeu uma votação pífia.
>
> Se aqui neste fórum, que entende-se ser frequentado por pessoas com
> vivência política, dias atrás tinha gente gritando contra a
> Constituição e defendendo plano de saúde privado para entidades
> públicas, o que podemos esperar do povo(?)?
>
> O povo(?) quer entender discursos como este?
>
> Abraços
>
> Damiem Barbosa
> GPP-USP
>
> --
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> Para pesquisar o histórico da lista visite:
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> --
> Talvez um rio manso surja esta manhã.
> Talvez triunfe a verdade.
> Talvez não seja demasiado tarde
> para sair a semear
> canções de outros tempos.
>
>                            Augusto Blanca
>
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