[gial] Trajédia que a gente não quer que aconteça

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Quinta Abril 30 18:02:07 BRT 2009


Grande Seo Ciço, grande representante do povo(?).

Pena que ele pensava isso lá pros tempos de 1985. Faz tempo...

Hoje não dúvido se ele já não virou um líder do MST. Mas com certeza  
deve ser beneficiário do Bolsa-Família.

Grande Seo Ciço... Talvez encontremos mais uma centena de  
representantes do povo(?) como ele.

De baixo pra cima? Esqueça! Neste país ou será de cima pra baixo ou  
nunca será!

Abraços

Damiem Barbosa
GPP-USP


2009/4/30 <inaciojunior em usp.br>

Companheiro,

O que o povo quer eu não sei, mas talvez o seu Ciço dê uma pista...

Inté

Inácio

Depoimento de Antonio Cícero de Souza

?Então veja, o senhor fala ?Educação? daí eu falo ?educação?. A  
palavra é a mesma, não é ? A pronúncia, eu quero dizer. É uma só. Mas  
então eu pergunto pro senhor: é a mesma coisa ? É do mesmo que a gente  
fala quando diz essa palavra ? Aí eu digo: ?Não?. Eu digo pro senhor  
desse jeito: ?Não. Não é.?  Eu penso que não.
Educação... quando o senhor chega e diz educação vem do seu mundo, o  
mesmo, um outro. Quando o senhor fala a palavra conforme eu sei  
pronunciar também, ela vem misturada no pensamento com isso tudo,  
recursos que no seu mundo tem.  Quando eu falo, o pensamento vem dum  
outro mundo. Um que pode ser até vizinho do seu, vizinho assim, de  
confrontante, mas não é o mesmo.  A escolinha cai-não-cai alí num  
canto da roça, a professorinha dalí mesmo, os recursos, tudo como é o  
resto da regra do pobre. Estudo ? Um ano, dois, nem três. Comigo não  
foi nem três.
Porque é assim desse jeito que eu queria explicar pro senhor. Tem uma  
educação que vira o destino do homem, não vira? Ele entra alí com um  
destino e sai com outro. Quem fez ? Estudo, foi estudo regular, um  
saber completo. Ele entra dum tamanho e sai de outro. Parece que essa  
educação que foi a sua tem uma força que tá nela e não tá. Como é que  
um menino como eu fui mudá num doutor, num professor, num sujeito de  
muita valia?
O senhor faz a pergunta com um jeito de quem sabe já a resposta. Mas  
eu explico assim. A educação que chega pro senhor é a sua, da sua  
gente, é pros usos do seu mundo. Agora, a minha educação é a sua.  Ela  
tem o saber da sua gente e ela serve pra que mundo? Não é assim mesmo?
(...) Menino aqui aprende na ilusão dos pais; aquela ilusão de mudar  
com o estudo, um dia. Mas acaba saindo como eu, como tantos, com umas  
continhas, uma leitura. Isso ninguém vai dizer que não é bom, vai?   
Mas pra nós é uma coisa que ajuda e não desenvolve.
?Educação?.  É por isso que eu lhe digo que a sua é a sua e a minha é  
a sua. Só que a sua lhe fez. E a minha?

A gente manda os meninos pra escola. Quem é que não manda?  Só mesmo  
um sujeito muito atrasado...  Podiam tá na roça com o pai, mas tão na  
escola. Mas quem é pobre e vive nessa descrença de trabalhar dum  
tanto, a gente crê e descrê.
Menino desses pode crescer sem um estudosinho que seja, da escola ?  
Não, não pode. O meu saberzinho que já é muito pouco, veio de aprender  
com os antigos, mais que da escola, veio a poder de assunto, mais do  
que de estudo regular. Finado meu pai já dizia assim. ?Mas pra esses  
meninos quem sabe o que espera?? Vai ter vida na roça pra eles todo o  
tempo? Tá parecendo que não...  E, me diga, quem é quem na cidade sem  
um saberzinho de estudo? Se bem que a gente fica pensando:  o que é  
que a escola ensina, meu Deus?  Sabe, tem vez que eu penso que pros  
pobres a escola ensina o mundo como ele não é.?




Antonio Cícero de Souza
Lavrador de sitio entre Andradas e Caldas, no sul de Minas Gerais


Este depoimento foi editado. O texto completo pode ser lido na  
coletânea A questão politica da educação popular , organizada por  
Carlos Rodrigues Brandão e publicada pela Brasiliense, São Paulo,1985.


Citando damiem em usp.br:



Não sei não...

O povo(?) precisa entender discursos como este para que a educação
venha a tomar um rumo que se espera? Ou será que não é ao contrário? A
educação deve tomar o rumo que se espera para que o povo(?) passe a
entender discursos como este.

O "sempre" aplaudido Cristovão Buarque foi candidato a Presidência da
República. Recebeu uma votação pífia.

Se aqui neste fórum, que entende-se ser frequentado por pessoas com
vivência política, dias atrás tinha gente gritando contra a
Constituição e defendendo plano de saúde privado para entidades
públicas, o que podemos esperar do povo(?)?

O povo(?) quer entender discursos como este?

Abraços

Damiem Barbosa
GPP-USP

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                           Augusto Blanca







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